FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS DA PSICOLOGIA E DA PSIQUIATRIA!

(“Leitmotiv”: o resgate das expressões da NATUREZA em nós mesmos!)

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“Expulse a natureza com um forcado e ela de pronto voltará” (Horácio 65 a 8 a. C: “Naturam expellas furca, tamen usque recurret.”)

        Todas as esferas do saber se iniciam pela observação de SINAIS; sua investigação e o estabelecimento de possíveis correlações entre eles, de maneira a instrumentalizar nossas intervenções no mundo. A única que se iniciou por uma ordem: “Você tem que ser assim!” (MANDAMENTOS) foi a mente humana. Nesse processo, do qual resultou o que chamamos CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL, todos os esforços se deram em função de violentar as expressões da NATUREZA, em geral e em nós mesmos. Todos conhecemos a lista infindável dos horrores resultantes do processo. Não por acaso, a RAZÃO humana passou a exercer um papel parecido com o de um “Min. Das Relações Exteriores” (Schopenhauer): fora entronizada a hipocrisia nas relações humanas. Por isso mesmo, penso que todos os esforços consequentes, tanto na Filosofia quanto na Psicologia precisam se dar no sentido do resgate e apreciação daquelas mesmas expressões da NATUREZA em nós.   

         Ao final da I. Média, Michel de Montaigne (1533-92) deu início a esse processo, mas sua obra foi como que “abafada” pelos inúmeros moralistas que se seguiram. Cerca de 300 anos depois, F. Nietzsche promoveu uma verdadeira implosão daquela Filosofia que promovia uma pretensa “Razão Pura, livre de toda a animalidade”; tornada obsoleta desde então. Com sua “Relha do Arado” (nome original de “AURORA”), Nietzsche como que preparou o terreno para o trabalho de S. Freud, que desenvolveu uma verdadeira SEMIOLOGIA para o inconsciente (baseada na interpretação dos sonhos, chistes, “atos falhos” e outras expressões da vida cotidiana). Os grandes escritores também trabalharam muito com aquelas expressões e conflitos, mas o método freudiano permitiu aquele acesso de maneira sistemática. Não por acaso, sofreu ele ataques baseados no medo de que: “…chamar à consciência impulsos sexuais reprimidos implicasse o risco de aniquilar as mais altas aspirações morais e as conquistas da civilização” (“Cinco Lições de Psicanálise”). Quanta fragilidade percebiam esses “moralistas” nessa mesma civilização!

      Iniciei a preparação dessa APRESENTAÇÃO pensando em um “novo olhar para a Psicologia” e concluo agora pelo sentimento de “um novo olhar para a própria Filosofia”…meu mesmo, em princípio. Afinal é esperado que toda FILOSOFIA (digna do nome) valorize o estudo do próprio “aparelho” (sempre social e coletivo) responsável pela sua formulação.

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