CAMPUS PV: REITOR “BOTA ABAIXO” ATACA OUTRA VEZ.
(O que o ETU/UFRJ tem a dizer sobre Patrimônio Histórico?)
Márcio Amaral, Prof UFRJ-IPUB
Link para ter acesso ao OFÍCIO No 109/2023/CBPF

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“…tendo como base uma análise de custo de reparação e considerado o valor estimado equivalente, ou próximo, ao custo de uma nova construção.” (do Escritório Técnico da UFRJ sobre a restauração do Pavilhão Mário de Almeida, Campus PV, agora ameaçado)
“… caso a UFRJ tome a iniciativa de demolir o Prédio…o CBPF entende que sua Reitoria está assumindo a responsabilidade integral por essa decisão”. (Márcio Portes de Albuquerque Diretor do CBPF/MCTI em OFÍCIO à SBPC à Soc. Brasileira de Física e ao Inst. de FÍSICA-UFRJ)
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Só quem não tem qualquer noção quanto ao valor histórico e simbólico de alguns prédios poderia dizer o que escreveu o ETU. Sua própria convocação era já uma indicação de INTENÇÃO de destruição; e por parte daqueles que deveriam ser os maiores guardiões de nosso PATRIMÔNIO! Diante de uma peça de valor inestimável, ficaram presos a continhas, como se estivessem tratando da restauração de um alojamento construído às pressas. Não tenho condições de julgar o valor histórico do prédio ameaçado, mas pela reação dos colegas, cuja própria história é a ele ligada, podemos imaginar o novo absurdo que o reitor está capitaneando. Quem assinou esse documento haverá de se envergonhar…e não vai demorar muito. Em se tratando de história, simplesmente não existe um “…valor estimado equivalente, ou próximo…”. Como disse um colega em mensagem: “Que toupeiras!”. Mas o pior é que isso esteja sendo colocado em discussão em uma das maiores UNIVERSIDADES do BRASIL e que tem um dos maiores acervos sob sua guarda. Uma coisa é certa: ninguém pode acusar o agora reitor, prof. Carlos Frederico, de incoerência: iniciou seu mandato (como vice) comandando tentativa (derrotada) de “BOTA ABAIXO” geral no Campus PV; continuou com outras (um tanto encaminhadas) e está acabando com mais uma. Bem, o que esperar de alguém que afirmou ser a UFRJ “A maior latifundiária da Z. Sul”, referindo-se à nossa luta pela preservação do nosso PATRIMÔNIO!
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PARTENON….COLISEU….PALÁCIO DAS RUÍNAS….
Deve haver quem, ao visitar Atenas ou Roma, pense que um “arranha céu”, por ali, seria bem mais interessante do que uma “reforma”. Não é preciso ir tão longe, basta subir o morro de Sta Teresa e visitar o “Parque (ou Palacete) das Ruínas”! Só sobreviveu por se situar em local no qual não cabem “arranha-céus”. Que destino maravilhoso pode ter uma ruína, palavra cujo sentido pode ser invertido, especialmente para símbolos de uma época: “Se o Sr não tá lembrado/Dá licença de eu contar/Ali donde agora está/Esse “adifício arto”/Era uma casa velha/Um palacete assobradado…” (Adoniram Barbosa, sobre o “bota abaixo”-SP).
Mas o pior é o terrorismo do propalado “risco estrutural”. Todos, de imediato, se calam diante da ameaça, tola quando aplicada à situação. Bastariam pequenas garantias de sustentação—nas quais o ETU deve ser especializado—para que esse (possível) risco fosse afastado e se iniciasse uma RESTAURAÇÃO cuidadosa, preservando o “espírito do prédio” (a rigor, como que impregnado pelas muitas gerações que por ali passaram). Que me desculpem os físicos, mas há um para além da física; uma METAFÍSICA nas coisas (Leibniz). Nova vida lhe seria dada e todos ficaríamos orgulhosos. Lendo esses “riscos estruturais”, não pude deixar de associá-lo ao mesmo argumento utilizado pelos que estão respondendo pelo IPUB. No dia seguinte à sua “posse”, usaram-no para interditar a BIBLIOTECA e não temos notícias de intervenções ali feitas para ELIMINAR O RISCO.
OBS: está em curso um MANDADO DE SEGURANÇA em função de violação da LEI DA REFORMA UNIVERSITÁRIA promovida pela REITORIA/DECANIA-CCS, no processo de sucessão, maculando-o*.
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A VERGONHA QUE ESSA REITORIA ESTÁ NOS FAZENDO PASSAR!!!
Minha única discordância, quanto à afirmação do Diretor do CBPF, é que a RESPONSABILIDADE tenha sido limitada à nossa Reitoria! Afinal, somos todos responsáveis pela gestão que está se encerrando; uma das poucas que foi aceita pelo ex-presidente (outro “BOTA ABAIXO”), que não se furtou a elogiar muito a reitora eleita. Sim! Somos os responsáveis também por esse “rabicho de uma gestão” que sai como que jogando terra sobre os dejetos que deixa para trás. Mas há mais coisas nisso tudo. Todos se lembram de que o “Viva…qualquer coi$$$a” implicava a demolição de “apenas” uma ala do Campus PV, dividido até por uma “rua” inventada por Crivella**: DIVIDIR PARA REINAR (prática dos ingleses)! Aquilo nunca me enganou. O BOCÃO DO CAPITAL é insaciável; querem mesmo é engolir o “Latifúndio” todo. E eis que “CRUZARAM O RUBICÃO”: o Pavilhão em questão fica paralelo à L. Müller, a poucas dezenas de metros da Biblioteca também ameaçada. O que estariam planejando erguer por ali? Boa coisa não é!
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VAMOS PROMOVER OUTRO “DAQUI NÃO SAIO, DAQUI NINGUÉM ME TIRA…”?
“…Nem à força e não caio nesse monte de mentiras!” (Paródia do clássico do carnaval: serviu de mote à nossa luta)
Todos se lembram do mov. vitorioso que a Comunidade do IPUB capitaneou e fez parar os tratores que já esquentavam seus motores para demolir: IPUB, INDC, CASA DA CIÊNCIA e outros. Bradamos em ALTO E BOM SOM: “Preparem os tanques e o camburão, pois por aqui não passarão!” A disposição era resistir sentados no chão e com a participação de pacientes, familiares e moradores da região. É essa a linguagem que o CAPITAL e seus asseclas entendem, mas a imensa maioria de nossos colegas a ela também resiste. É nisso que os demolidores estão apostando; na FORMALIDADE que assola a ACADEMIA. Por conta disso, sou chamado de “Explosivo!”. Agora pergunto: como REAGIR a quem invade um local, no qual v. empenhou quase toda a sua vida profissional, dizendo: “Vs VÃO TER QUE SAIR DAQUI!”…e em função de $$$$! Como ficaria (e ficará) nosso compromisso para com nossa CIDADE e nossa HISTÓRIA, caso fiquemos presos à “conveniência”? Sabedores de que esse é mais um “mov. de pinça” na guerra surda que o CAPITAL move contra nós, a comunidade do IPUB certamente estará a postos para encorpar um MOVIMENTO que envolva outras forças da UFRJ e da sociedade. Quando ameaçado diretamente, o IPUB sequer esperou apoios (recebidos) para agir. Agora, penso que outras forças devem capitanear a resistência à qual (posso antecipar) daremos todo apoio PRESENCIAL e de mobilização.
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*O mesmo reitor deu todo apoio a esses colegas nas “eleições” manipuladas, segundo nossa avaliação, chegando a dizer palavras comprometedoras em sua “posse”: “…colaboramos onde pudemos e estamos muito felizes com o resultado do processo!”; “Estou em final de gestão e essa é a posse de unidade mais festiva em que estive. Mostra que valeu a pena todo esse trabalho…”. (Prof Carlos Frederico)
**De nome “Noel Capistrano Teixeira” que teria sido PASTOR de uma de suas igrejas. Apenas mais uma aliança vergonhosa daquela reitoria.