EBSERH: EM “LIVE” DA ASSEMBLEIA, O C. HOSPITALAR FICOU MAL!
(Estranho é que não tenham convidado o IPUB, foco de resistência desde o primeiro momento!)
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NOTA: impressionou muito o conhecimento sobre o tema demonstrado pelo coordenador da “live”, Dep. F. Serafini. Ouvimos também depoimentos muito ricos e ilustrativos de vários colegas que estão na luta pela AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA na UFRJ desde seu início (Fátima Silianski, Sara Graneman, Gerly Miceli) e de outros que só posteriormente se deram conta do “logro-EBSERH” (Dep. Glauber Braga). Importantes os relatos de condutas consideradas abusivas e antiuniversitárias a partir da perda de referência em seus HUs, em especial pelas representantes da ADUFF e do SINTUFF. A sintonia profunda entre o HUAP e sua cidade pode estar ameaçada.
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“O General falou: Nós vamos cuidar da sua casa, prá vocês poderem trabalhar…!”
(Prof: Marcos Freitas, diretor HUCFF)
Nosso colega reproduziu (em baixo estilo) a “justificativa moral” para o PODER MILITAR que assola o Brasil desde 1889: “os civis são incapazes de governar, além de corruptos, LOGO, chamem os militares para tomar conta dos pobrezinhos”! Como não temos guerras ou fronteiras ameaçadas, nossas FAs parecem precisar de um auto engano quanto à sua própria importância! O diretor do HUCFF, sem o reparar, tornou-se arauto do MILITARISMO, no Brasil como um todo. Podia ter dito “O presidente da EBSERH”, mas parece gostar da palavra GENERAL! Há mesmo muito saudosismo por aí. Querem saber qual a origem do poder militar? Nesse tipo de servilismo humilhante de alguns civis. As disposições mais profundas das pessoas saem pelos poros…e através da linguagem! Pergunto: Alguém aqui aceitaria (ou pediria) que um outro….qualquer outro… cuidasse da SUA própria casa? Só cantando com “Blecaute” a marchinha de carnaval (1950): “Chegou o General da banda Ê..Ê/ Chegou o General da banda Ê..A”. E ainda tem MOURÃO (tio) na letra: https://www.revistaserrote.com.br/2018/09/general-por-heloisa-m-starling/
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SEPARANDO ENSINO DE ASSISTÊNCIA… E NA UNIVERSIDADE!
Mas nosso colega foi além, agora violentando PRINCÍPIOS UNIVERSITÁRIOS: “…O MEC, que é da EDUCAÇÃO, não pode cuidar de hospital, que é da ASSISTÊNCIA!”. Trata-se de uma defesa da separação, nas UNIVERSIDADES, entre ENSINO e ASSISTÊNCIA. Desconhece que nossa assistência precisa ser diferenciada, pois se dá também em função da preparação de novos profissionais? Fomos nivelados a qualquer hospital que vise lucro. Vindo de um professor, é triste; de um diretor de HU, preocupante! Não podemos nos pautar por metas estabelecidas a partir de certos interesses. Um dia, bem antes do poder militar tomar a EBSERH, escrevi—ainda impressionado com a traição do PT à sua própria origem—que ela visava criar um “parquinho temático” no qual professores “comportadinhos”, livres das “chatices da gestão”, trabalhariam em paz; fariam suas pesquisas, etc. Como escapar da conclusão de que defender a EBSERH implica confissão de incapacidade para a gestão? Aqueles que assim pensam deveriam ser fiéis a si mesmos e RENUNCIAR. Quanto ao diretor do CH, ficou evidente seu constrangimento ao defender algo tão em desacordo com sua própria história de lutas. Falar ainda que “passamos a vender serviços ao SUS” também revela perda de referencial. Nossa ligação com o SUS É ORGÂNICA; vai muito além do mero “vender e comprar”.
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MAIS ALGUMAS “PÉROLAS” QUE NOS DIMINUEM!
1-“Ajudem-nos a ser o maior Hospital do Brasil…Sem isso vamos fechar em janeiro”. Alguém ainda leva a sério esses falsos dilemas? Quem precisa ter “o melhor hospital”? Eu, se conseguir avançar um pouco todo dia, segundo PRINCÍPIOS, estou mais do que satisfeito. Que narcisismo institucional é esse que assola a UFRJ? Quero desenvolver uma solidariedade consistente para com meus colegas em todo Brasil e essas palavras não ajudam. Ademais, que terrorismo é esse de falar em FECHAR? Ele assumiu nesses termos e sob esse risco. Se desistiu, peça o boné!
2-“Se perguntarem na torcida do Vasco sobre o Flamengo vão dizer que é ruim. Tem que perguntar na torcida do Flamengo!”. Quem pensa assim não deveria participar de debates, em geral. E que metáfora chula!
3- “Eu não vou dar PALPITE na Fac. de Letras ou de Música, pois não entendo nada disso. São os médicos que têm que dizer o que é melhor para um hospital”. Que exemplos! Das letras, espera-se que todos tenham noção…na UNIVERSIDADE, pelo menos; já de música, é esperada alguma apreciação. Como não repara que estamos falando de PRINCÍPIOS e esses, por definição, não são meramente técnicos. Esqueceu-se de que pertence a uma UNIVERSIDADE? Ademais, tratar as outras opiniões como “PALPITES” é de um mau gosto tremendo
4 –“Assim, eu não vou poder fornecer formação e estágios para enfermagem, nutrição...”. Meus colegas foram mesmo como que “devorados” pela linguagem empresarial! Falou como quem fornece quentinhas ou outras coisas, nunca como quem oferece ESTÁGIOS! Quem andou limitando estágios nos HUs foi a EBSERH (ver sua lei). Só garantem para medicina (cuidadosamente não citada) e enfermagem. As demais…tudo dependeria do “incômodo” que podem causar aos lucros! Já publiquei a respeito.
5- “Meu partido é o HUCFF!” (“frase de defeito” que costuma usar para se dizer “apolítico”). Não sabe que a palavra “partido” deriva de “PARTES” (da sociedade, no caso). Impossível declaração mais contrária ao interesse público! O que pensa o diretor do CH diante dessa declaração de que está pouco se importando em relação aos demais HUs da UFRJ? Quanto ao “apolítico”, fiz até uma quadrinha: “Dos jogos da boa política/Ninguém escapa ou se isola/Quem se aliena, perde a crítica/E está condenado a ser A BOLA”.
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UM PRÉDIO COM VÍCIOS DE ORIGEM…INSANÁVEIS, POR DEFINIÇÃO!
Acompanho o desespero que vai tomando conta de vários diretores do HUCFF desde o final da década de 1970. Frequentei o HU por longos período e um dia concluí: o gigantismo do seu prédio é desumano: um devorador de recursos, mentes e projetos; além de estar em total desacordo com o seu entorno. Foi planejado para 1800 leitos em 220.000 m2. Há que se libertar desse passado que suga nossa energia lentamente, levando-nos a brigar entre nós: “…De longe estás sendo ferido/Por outra mão” “PESCADOR”, C. Meirelles Há que planejar sua demolição e construção de outro em lugar a ser estudado.