RELATÓRIO-EBSERH: DIRETORES DESISTINDO DA GESTÃO DE HUs?!
(UFRJ: baluarte…última trincheira!)
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“O HCPA foi inspiração para o modelo de gestão da EBSERH”. (do relatório)
“O HCPA pratica atendimento privado” (por isso não poderia a ela aderir).
A EBSERH vai tentar se reencontrar com sua inspiração…alguém duvida?
“Sem o nó final, a costura se desfaz!” (antigo ditado de costureiras suecas).
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Foi com renovada tristeza que li o relatório preparado pelo C. Hospitalar-UFRJ no qual é defendida a entrega de nossos hospitais a gestões não (ou anti) universitárias. Como não percebem que estão fazendo coro com “GUEDES E Cia” em seus ataques ao S. Público? Não há como tergiversar: o resultado da entrega de nossos HUs a “gestões alienígenas” é um quase FIM dos concursos públicos e da entrada de RJUs; tudo o que o “liberalismo econômico” quer. E há que traduzir esse “liberalismo”. Trata-se de dar liberdade aos poderosos (o grande CAPITAL) para esfolar os mais frágeis à vontade: a LEI DO MAIS FORTE (resultando sempre em hiperinflação). Já é triste saber que a “aberração EBSERH” foi proposta e implantada por governos do PT. É mais triste ainda, depois de quase 8 anos de sua implantação e vislumbrando uma superação do atual “governo liberal”, ver pessoas que ficaram conhecidas por sua luta pelo interesse público defendendo uma empresa intermediária que se tornou “cabide de fardas”.
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DEVORADOS PELA LINGUAGEM DO CAPITAL
O que mais me chamou a atenção no relatório foi o quanto meus colegas estão como que “devorados” pela mentalidade empresarial que eles mesmos sequer conseguem desenvolver. Sendo assim—na medida em que louvam um valor (sic) que não possuem—estariam se entregando ao comando de outros; e em uma instituição na qual entraram como guardiões e tentando ser gestores competentes. E onde aparece essa perda de autonomia individual? Na linguagem aplicada. Afinal, “No Início era o Verbo”. A própria contradição, assinalada nas citações em epígrafe, seria explicada assim: o HCPA saiu, mas seu “espírito” serviçal (aos p. de saúde) ficou; como um vampiro, sugando nossa energia. O mal parecia irreversível e sua implantação plena dependendo talvez apenas da adesão da UFRJ, única unidade que decidiu pela não adesão. Entenderam agora o risco maior?! SOMOS UMA ÚLTIMA TRINCHEIRA, um BALUARTE! Há que levantar a BANDEIRA. Esse esforço da EBSERH me parece expressão de medo. Vai que o PT acorda e retoma antigos valores! Lembram do último nó? Ademais, o desfinanciamento das universidades não é um DESTINO
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“EXPERTIZE” DE MENOS…ou ESPERTEZA DEMAIS (da EBSERH)?
Querem um exemplo do quanto nossos colegas estão “devorados” pela mentalidade empresarial? Vejam a sentença/confissão (“expertise” sem sequer o pudor das aspas): “…Falta de expertise dos quadros da Universidade em administração”. A pergunta, diante dessa confissão humilhante, é: deve um HU ser administrado como uma empresa qualquer, visando o LUCRO? Estou certo de que não. Até escrevi um capítulo do LIVRO SOBRE GESTÃO PÚBLICA (disponível na página do IPUB) no qual defendo ser hora da boa gestão pública começar a ensinar como promover a competência sem perder o referencial humano. E isso só é possível em gestão com espírito público e sem ter o lucro como referencial. (ver pag 20 do livro sobre Gestão Pública):
https://www.ipub.ufrj.br/wp-content/uploads/2017/11/Livro_IPUB_Gestao_2010_2014-1.pdf)
O que dizer, ainda, de expressões como: “valor monetário” (recursos públicos); “resultados na produção assistencial”; “verdadeira fórmula da bancarrota“?
Essas expressões, em texto universitário, chegam a causar mal estar.
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SIM, A GESTÃO PÚBLICA TEM SUAS ESPECIFICIDADES E DESAFIOS!
(o modelo da empresa pública é) “…mais flexível e adequado para contratação e gestão de pessoal – HCPA”. (Relatório) Vamos falar com clareza! Sabemos que “Guedes e Cia” (arauto e aríete deste governo e da MÍDIA GLOBAL) consideram o servidor público um “problema a eliminar”. Somos mesmo uma resistência aos desmandos do CAPITAL. Mas a desculpa “oficial” é: os S. Públicos tenderiam a não cumprir ordens; a faltar ao serviço e ao desleixo, etc. (sic). E esse discurso é muito repetido entre nós. Eu, que estou ligado à gestão direta por décadas, sei que o controle da atividade de cada servidor não é tão simples. Mas sei também que essas dificuldades têm origem nas condutas e omissões das próprias direções que não cumprem seu papel de presença e controle diuturno. Durante nossa campanha vitoriosa contra a EBSERH (UFRJ), por aqui e em vários pontos do Brasil, sempre que algum gestor vinha com esse argumento, eu perguntava: “Quantas comissões de sindicância v. promoveu para investigar essas situações?”. R: SILÊNCIO quase SEPULCRAL! A resposta seria: NENHUMA! Ou seja: nossos colegas não cumprem seu papel; não usam os instrumentos disponíveis, e concluem que os servidores são incontroláveis! Daqui a pouco vou ter que repetir com o personagem: “Não investigaram?! Não! Então não me venham…”.
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OFICIALIZANDO O RECONHECIMENTO DO PREJUÍZO DO IPUB!
Por fim, uma coisa boa no Relatório! Vejam a tabela na pag. 27 do RELATÓRIO: evolução do número de trabalhadores extraquadro por UNIDADE desde 2009. A disparidade em nosso prejuízo é marcante:
O IPUB passou de 119 EQ (em 2009) para 34: menos de 1/3.
A M. Escola passou de 243 EQ (2009) para 137: bem mais do que a metade.
O IPPMG passou de 222 EQ para 118: bem mais do que a metade.
O HUCFF passou de 900 EQ (2009) para 623: bem mais de 2/3.
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O mais perverso da história é a penalização da unidade que levou a sério (IPUB, para seu prejuízo) a recomendação do TCU e a ORDEM da Reitoria: substituir os EQ quando da entrada de RJU. Assim, talvez seja hora de desfazer esta INJUSTIÇA! Considerando a nossa deficiência de pessoal, seria de se esperar, de um C. HOSPITALAR preocupado em estabelecer JUSTIÇA nas nossas relações, a promoção de pequeno ajuste na distribuição de pessoal.