CULTURA, POPULAR E REGIONAL: MAIOR BARREIRA CONTRA O FASCISMO!

S. Bonifácio cortando o Carvalho de Thor (723 d. C.), sob o qual as tribos germânicas se reuniam anualmente: momento decisivo da “cristianização forçada”. Viriam muitas outras dessas violências contra a Natureza e as Culturas dos povos. 

(Nazismo e fascismo: resultaram do colapso da cultura popular na Alemanha e Itália)

“Até o presente, os alemães nunca tiveram cultura…sua ‘cultura’ não é mais do que espécie de ciência da cultura, bastante falsa e superficial…A cultura não pode nascer, crescer e se desenvolver senão dentro da própria vida; já entre os alemães a cultura é tratada como uma “flor de estufa”…sempre falsa e artificial” (Nietzsche: “Considerações Extemporâneas”).

NOTA- Há que deixar bem claro: CULTURA não é erudição nem ilustração intelectual, mas aquilo que caracteriza um grupamento humano e de uma região: “unidade de estilo, artístico e outros, em todas as manifestações da vida de um povo!” (idem)). A resposta quanto ao que teria determinado o colapso da CULTURA (popular e regional) germânica será discutida abaixo.

NOSSO NORDESTE, COM SUA CULTURA INEXPUGNÁVEL, DISSE: “FORA FASCISTA!”

O melhor exemplo, para reforçar a tese, tivemos aqui mesmo, no Brasil: a BARREIRA que nosso Nordeste ergueu contra os fascistas, apesar das inúmeras barreiras (essas físicas mesmo) erguidas contra o seu direito de votar! Por outro lado, olhemos para o que se passa no nosso Centro-oeste: seu culto ao “agro” e ao dinheiro passou como um trator (dentre tantos) por sobre sua cultura regional. E o que se seguiu? O culto ao falso mito! Hoje, o que mais se promove por lá são “rodeios à americana”. O nosso tão poético e arredio sertanejo foi alijado e se escondeu. Nesse ambiente, de perda de identidade, o culto à grosseria, aos “Füheres” e ao militarismo costuma tomar todo um povo. Diante do colapso de uma cultura, a necessidade de pertencimento a algum grupo faz com que muitos abracem os primeiros ditames dos que têm sobre ele algum poder: “…uma severa disciplina, obediência e submissão não têm qualquer relação com cultura…na Alemanha, foi perdido o verdadeiro conceito de cultura”. (Nietzsche, condenando o militarismo alemão)

CORTE DO “CARVALHO DE THOR”…CULTURA GERMÂNICA VIOLENTADA!

Em 723 d. C., durante os confrontos para “cristianizar” (no pior sentido que a palavra pode ter) os povos germânicos, S. Bonifácio promoveu o corte do assim chamado “Carvalho de Thor” sob o qual suas tribos se reuniam anualmente.

“Da pregação de Bonifácio, que usou um pinheiro para explicar a Santíssima Trindade como o “carvalho do céu”surgiu a tradição da Árvore de Natal, como um símbolo cristão de vida” (WP). A partir do ataque à Natureza!

Algumas décadas depois, foi a vez de C. Magno destruir: “…o Irminsul*, importante objeto pagão, na Saxônia. Dez anos depois, promoveu a execução de 4.500 saxões em sua campanha para os cristianizar. O massacre ocorreu em Verden, Alemanha, e tudo é atestado por fontes francas do período, incluindo os Anais Reais Francos” (WP). Mas o pior veio depois: a submissão total dos povos germânicos e o colapso da sua cultura original. Não por acaso, H. Himmler (o mais abjeto dos líderes nazistas) se esforçou para tentar resgatar a CULTURA perdida.

CÉSAR: AFASTANDO ARTISTAS E INTELECTUAIS DA SUA REGIÃO E CULTURA!

“…César (100-44 a.C.) transferiu para Roma todos os intelectuais do Império, criando uma “organização cultural”, categoria de intelectuais “imperiais” em Roma…com sua característica de “cosmopolitismo”

(A. Gramsci, citado por Celso Frederico em “Gramsci e a Cultura”: https://aterraeredonda.com.br/gramsci-e-a-cultura/).

O “CORTE”, promovido por César, não envolveu árvores, mas foi igualmente desastroso, no sentido da destruição da regionalidade essencial das culturas dos povos da Península Itálica. Além disso, os efeitos da “Helenização” (submissão forçada à Cultura grega) teria “completado o serviço”. O afastamento, entre a intelectualidade romana e a gente do seu povo, estaria repercutindo até o tempo de A. Gramsci (1891-1937): 

O resultado desse processo…foi a transformação dos intelectuais italianos numa casta distanciada do povo e alheia aos problemas nacionais” (idem)

A antiga Roma teria permanecido oscilando entre falsos “ideais helênicos” e seus muito verdadeiros palcos de horrores, dos quaiso Coliseu é o melhor símbolo. E foi em função deles que o poeta satírico Juvenal cunhou a expressão: “panem e circenses” (pão e circo). Não por acaso, Mussolini adotou um símbolo da época para nomear seu “movimento”, o FASCES, instrumento de matar.

CULTURA, REGIONAL E POPULAR, COMO MAIOR PRIORIDADE!

“Sou do mundo, sou Minas Gerais!” (M. Nascimento e seu “Clube da Esquina”)

Nunca UM verso sintetizou tão bem todas as teorizações sobre a REGIONALIDADE da CULTURA: por mais que as manifestações culturais de um povo conquistem o mundo, há que nunca perder suas raízes! De tudo isso decorre que as CULTURAS (sempre regionais e populares) devem se tornar uma PRIORIDADE para todos os governos consequentes! E como se faz isso? Nunca tentando tomar a frente, pois atropela e atrapalha a evolução NATURAL das CULTURAS. Há apenas que estimular, criando ambientes propícios para sua expressão, além de pequenos financiamentos, é claro, sempre com transparência. O governante que mais teve essa visão foi F. Haddad que, entre outras coisas, conseguiu resgatar o CARNAVAL de S. Paulo. Não nos deixemos enganar: a única maneira de consolidar a mobilização de um povo contra o FASCISMO, parte da consolidação das bases de sua CULTURA, sempre em evolução, mas sem perder suas raízes regionais.

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*Pilar sagrado ou tronco de árvore dos saxões, dedicado ao deus Irmin, era seu principal objeto de veneração. Era um objeto físico, semelhante a um grande pilar, que os saxões acreditavam sustentar o céu, funcionando como um eixo do mundo”.

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