O RGS FREOU ONDAS SEPARATISTAS* E AFIRMOU NOSSA CULTURA!

(Garantiu nossa INTEGRIDADE! Há que reconhecer e reverenciar)

Em fev. de 2014, o Botequim VACA ATOLADA recebeu a “Banda Saldanha”, do RIO GRANDE do SUL. No sábado de Carnaval, desfilaram na Atlântica partindo da R. S. Campos. Um forte sentimento de BRASILIDADE me invadiu e dali saí cantando as primeiras estrofes do samba que segue. Modifiquei apenas os 2 últimos versos.  

LÁ PELO RIO GRANDE! (à Banda Saldanha e ao povo do RGS)
No Sul,
Lá pelo Rio Grande
Nossa cultura se expande
Movida a união!
……………….
Foi lá…que se
Consolidou nosso mapa,
No entendimento e no tapa;
Na ponta dum mapa
Que é um coração.     
……………….
De lá….
Vieram as causas mais justas
Encimando tantas lutas
Que afirmaram
Um povo e uma nação!
……………….
Se alguém do Rio Grande
No Grande Rio aporta
Encontra aberta a porta
E uma enorme identificação

…………………………..REFRÃO…………………………..
Vamos cantar um samba
Com Bah, Tchê e Chimarrão,
Lá no Sul tem muito bamba
E samba de pé no chão.
Se esses dois Rios se encontram
Apontam em boa direção
As agruras menos contam 
Quando do lado há um irmão.

NÃO HÁ BRASIL SEM O RIO GRANDE

Por muito tempo me perguntei quanto ao porquê da minha simpatia para com o povo do RGS. Era um RECONHECIMENTO, certamente em função da garantia da nossa INTEGRIDADE territorial! Do ponto de vista mais objetivo, era difícil imaginar nosso mapa sem aquela ponta tão simpática que parece equilibrar todo o restante. Resistindo às ondas separatistas que assolaram a região na primeira metade do séc. XIX, os gaúchos simplesmente “disseram” ao mundo: SOMOS BRASILEIROS! Mas aquele sentimento só poderia decorrer da afirmação do intangível: nossa CULTURA! Aquele encontro com a BANDA SALDANHA, junto ao monumento que relembra uma revolta que resultou na REVOLUÇÃO DE 1930—progressista em suas raízes e com protagonismo gaúcho—era significativo. Vargas foi também arauto e artífice de nossa união! É bom também não esquecer: foi o RGS que conseguiu adiar (1961) o GOLPE de 1964. A associação de nosso mapa a um CORAÇÃO é de Villa Lobos….O nosso Villa! Já alguns empresários paulistanos o associaram a um pernil. Não há melhor exemplo de como construímos representações segundo nossas próprias inclinações! 

A POESIA E SEU PAPEL INTEGRADOR EM UMA CULTURA E UM PAÍS!

Dirão muitos haver excesso de ingenuidade nos versos acima…Ainda bem! É a partir da ingenuidade (“armada” com uma gota de malícia, é claro) que podemos construir algo em boas bases. Lembro, aos “muito práticos”, que a palavra “POIESIS” (do grego) implica produção, criação: “os gregos chamavam poiesis: aquilo que faço, que construo, em que me vejo” sentença que resume tudo. Sem desconhecer os abusos cometidos, por lá e em todo o Brasil, especialmente contra os povos originais e os negros sequestrados da ÁFRICA e escravizados, há que reforçar os pontos que aproximam os membros de uma CULTURA. Quando penso em Mário Quintana, Lupicínio Rodrigues, Yamandu Costa, J. Saldanha* e outros, tenho certeza do quanto há por ali de riqueza cultural: REGIONAL e NACIONAL. Por outro lado, ouvindo “influenciadores”—essa praga midiática que personaliza o controle sobre pessoas mais frágeis—e até padres católicos atribuindo as desgraças que assolaram o RGS recentemente aos seus inúmeros CENTROS DE CANDOMBLÉ, o papel afirmativo e libertário da cultura do RIO GRANDE fica muito reforçado. Seria essa CULTURA NEGRA seu grande diferencial INTEGRADOR em relação a toda a nossa cultura? 

………………………………………………

*E não é que um bando de irresponsáveis (sempre os há) andou falando em “separatismo”!

​**É uma referência, e não somente no futebol. Ninguém parece ter entendido sua tolice ao falar de uma “cegueira” de Pelé. Era no sentido de não ver o quanto seu nome era USADO pela DITADURA contra a gente simples do povo. Se ao menos tivesse colocado HUMOR…!

Posts Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *