A MULHER QUE ESCREVIA EM “MUSIQUÊS” (OU JAVANÊS)!
(Quanto desrespeito por uma Instituição e sua história!)
O DESPOTISMO DE ZARASTRO: MACHISMO DA MAÇONARIA
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Quem escreve prosa, precisa tentar ser claro. Caso contrário, é mistificação. Até em poesia, disse M. Bandeira: “Só não fui claro quando não consegui”! Quem lê o texto abaixo pensa “OHHH! que coisa profunda!”, mas eu me lembro sempre da cravista polonesa Wanda Landowska: “A música de Mozart pode parecer superficial apenas porque suas águas são totalmente claras, enquanto outros parecem profundos pela turvação generalizada”.
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Vamos a algumas passagens do “musiquês” canhestro:
1-“a questão que se coloca, entre a graduação (Musicoterapia) e o IPUB é de incompatibilidade rítmica. Pulsamos em tempos assíncronos”.
A música moderna, especialmente com Stravinski e a partir dele, mostrou não haver, em princípio, “incompatibilidade rítmica”alguma. A questão dos grandes artistas era tornar expressivo aquilo que, em outros tempos, parecia incompatível. É também o nosso desafio, até no IPUB e da assistência em S. Mental que não aceita “positivismos”, assim como a…música. Já dos “tempos assíncronos”, digo que não precisamos “viver no espírito de ‘Canon” (cada um começando em momento certinho) para que as coisas se encontrem no final. Para Jardim de Infância é ótimo
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2-“Nos organizamos tal qual música, na horizontalidade enquanto melodia, e na verticalidade enquanto harmonia”
HARMONIA implica ACORDES, em geral em sucessão, com suas notas soando a um só tempo (leitura vertical, na partitura). Também aqui, foi-se o tempo em que se buscavam só as consonâncias. Quanta maravilha nas dissonâncias de F. Schubert e outros, até os extremos de Mussorgsky/Ravel em seus “Quadros de Exposição”, e daí por diante! Da mesma forma que não acredito em incompatibilidades rítmicas, não existe “incompatibilidade harmônica”. A grande questão continua a mesma na arte em geral: a EXPRESSÃO. Já quanto à horizontalidade da melodia, prefiro pensar no CONTRAPONTO: várias vozes, que parecem independentes, como que lutando e se encontrando em busca da EXPRESSÃO. Aqui, o grande mestre JS Bach, com sua ARTE DA FUGA, CRAVO BEM TEMPERADO e “INVENÇÕES” (escritas para educar os filhos) continua pairando sobre as artes em geral; quem sabe inspirando as relações humanas e institucionais?
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3-“respeitando contrapontos e entendendo que só quando viabilizamos o so-ar, resso-ar e reverber-ar das diferentes vozes que nos constituem conseguimos o ponto de equilíbrio capaz de gerar potências e potencializar diferenças”.
Que me desculpe a colega, mas se há algo inexistente na música é “ponto de equilíbrio”. A música se dá no tempo; não tem existência física nem “pontos de equilíbrio” ou fixos. Nem no Canto Gregoriano esse tal “ponto de equilíbrio foi alcançado. Só quando o disco arranhava. Tudo ali se faz e desfaz sucessivamente; assim como na vida, dirão alguns. Que tal tentar poesia concreta?!
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4-“Aqui (IPUB) é um espaço em que nos é imputado cal-ar em sua forma imperativa”.Cuidado colega! Assim, e a exemplo daquela que promoveu o “Voto de Minerva”, v. ofende a instituição que lhe abriu as portas com toda boa vontade! Essa bobagem não merece comentário e eu fico com STENDHAL: “Soou como um tiro em um concerto”.Até já associaram os tímpanos, “soando fora do tempo” (ouvidos “positivistas”) no “Scherzo” da Nona Sinfonia de Beethoven, com canhões que se afastam, alegoria ao fracasso napoleônico: “
O Freunde, nicht diese Töne!”. (Oh! Amigos…Não esses tons!-Schiller “ODE À ALEGRIA”)
Sendo assim, colega e se posso dar um conselho musical: aprenda a OUVIR, tente sair um pouco do “fortíssimo”. Exercite o “piano” e as pausas (sem elas não há música), ouça D. Ivone Lara e pare de tentar REGER sua “SINFONIA FANTÁSTICA” (H. Berlioz) em uma INSTITUIÇÃO que tem uma longa história.
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ANEXOS DA MISSIVA da colega: “…a questão que se coloca, entre a graduação e o Instituto de Psiquiatria é de incompatibilidade rítmica. Pulsamos em tempos assíncronos.
Prezados Colegas Conselheiros, Bom dia!
Ainda sopesando os argumentos aqui levantados sobre a negativa em apreciar o pleito, que entendo legítimo e tempestivo, do Colegiado da Musicoterapia. Preferi aguardar para não reagir e sim responder. A questão que se coloca é de incompatibilidade rítmica e sistêmica. Nos organizamos tal qual música, na horizontalidade enquanto melodia, e na verticalidade enquanto harmonia, respeitando contrapontos e entendendo que só quando viabilizamos o so-ar, resso-ar e reverber-ar das diferentes vozes que nos constituem conseguimos o ponto de equilíbrio capaz de gerar potências e potencializar diferenças. Infelizmente neste processo aprendi que este não é um espaço onde se consiga apreci-ar, problematiz-ar ou deliber-ar. Aqui é um espaço em que nos é imputado cal-ar em sua forma imperativa. Pulsamos em tempos assíncronos. Desculpem, mas me falta oxigênio!…
Das razões que supostamente deveriam, mas não justificam, a CASSAÇÃO DO DIREITO a voto dos docentes pertencentes às unidades parceiras de nosso consórcio multiunidades.
Cordialmente….”