UM TANGO PARA QUINTANA!
(SONETO XVIII de “A Rua dos Cataventos”: arranjo e acompanhamento de MARCELO CALDI)

SONETO XVIII
Esses inquietos ventos andarilhos
Passam e dizem: “Vamos caminhar.
Nós conhecemos misteriosos trilhos,
Bosques antigos onde é bom cismar…
…..
E há tantas virgens a sonhar idílios!
E tu não vieste, sob a paz lunar,
Beijar os seus entrefechados cílios
E as dolorosas bocas a ofegar…”
….
Os ventos vêm e batem-me à janela:
“A tua vida, que fizeste dela?”
E chega a morte: “Anda! Vem dormir…
…..
Faz tanto frio… E é tão macia a cama…”
Mas toda a longa noite inda hei de ouvir
A inquieta voz dos ventos que me chama!…
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Como poderão ver, há no SONETO 5 seções com diferentes atmosferas bem demarcadas e respeitadas. Nas 2 primeiras estrofes, Marcelo Caldi identificou um TANGO, o que muito apreciei. Depois da tentativa de SEDUÇÃO ao poeta, os ventos batem com raiva na janela! Eis que chega a Morte, chamando para o conforto e acomodação em um ACALANTO. A melodia sofre modulação para um TOM MAIOR (tudo fica mais doce e suave). Por fim, o peso da fatalidade: a certeza de que, um dia, o jovem haverá de acompanhar os “ventos” dos desejos e sentimentos como em outro SONETO, o de número IV quando o poeta afronta seu Anjo da Guarda:
“Eu vou sair pro Carnaval dos ruídos…
Mas vem, Anjo da guarda…Por que pões
Horrorizado as mãos nos teus ouvidos…
…O ritmo das ruas nos convida…”