UFF: DESPEDIDA DE UM PROFESSOR ASSEDIADO ATÉ O ÚLTIMO MOMENTO!
(O primeiro ASSÉDIO se deu com estardalhaço…O de agora…lento e minucioso!)
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http://temasedebatesemsaudemental.com.br/2025/07/16/carta-aberta-a-reitoria-da-univ-federal-fluminense/
NOTA: O assédio que sofri se deu a partir dos meus esforços para evitar a ruptura (2018), pelas autoridades universitárias, de CONVÊNIO-SUS (H. P. Jurujuba-SMS), em função de outro, PRIVADO e no Rio. Sendo assim, meu compromisso com SUS-Niterói-UFF está absolutamente caracterizado. Meu RECURSO ao MPF-NITERÓI, foi uma manifestação extrema desse compromisso. Que os articuladores daquela troca tentem explicar, eles sim, o ato do qual certamente se envergonham. Autocrítica? Preferem sufocar a testemunha!
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E A TRAGÉDIA DO CIRCO…? O QUE TEM A VER COM ESSA HISTÓRIA?
Somente minha família nuclear sabe dessa história, além de alguns contemporâneos da minha antiga rua. Meus amigos mais próximos também vão se surpreender. Quando, há muitas décadas, a propósito da discussão de um incêndio, alguém citou a tragédia do “Circo de Niterói” e eu cometi a imprudência de falar que lá estava, percebi uma troca inconfundível de olhares e me calei. Aquela suspeita era insuportável. Mais recentemente, minha irmã, que conhece o autor, deu-me o livro de presente e me surpreendi com o relato (não muito fiel em relação ao que testemunhei) que foi consagrado à época, sobre os 3 meninos, o canivete, etc. Por que falar nele agora? Pela extrema indignação com a injustiça que venho sofrendo e para enterrar de vez acusações de que “não tenho ligação com Niterói e desprezo a UFF”*. Quando vim para o Rio, aos 17 anos, o essencial em mim estava muito bem estabelecido.
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DOMINGO…17 DE DEZEMBRO…TRAMPOLIM DE ICARAÍ…!

Muita gente não sabe, mas quase em frente à R. Lopes Trovão havia um trampolim que marcou a história dos adolescentes (e de algumas crianças mais ousadas) de Niterói. Estávamos lá os 3, quando, olhando para a praia, vimos um belo CORTEJO do “Gran Circo”, com palhaços, pernas de pau, malabaristas… Tínhamos um grande programa para a tarde. Chegando ao Circo, o amor aos animais nos salvou. Fomos para perto do local por onde passariam: uma abertura na lona. Tudo estava correndo bem, até que, quase ao final, vimos chamas subindo no lado oposto. Em nossa ingenuidade, enquanto as pessoas se precipitavam das arquibancadas em direção à abertura, nos perguntamos: “Vamos sair?”. Saímos andando, simplesmente. Ajudamos a derrubar uma barreira de zinco erguida para impedir “penetras” e fomos a um ponto do qual ficamos olhando fumaça e chamas subindo pelo lado oposto. E a lona desabou…julguei que todos tinham se salvado, tantas eram as pessoas que saíram. Só me dei conta da amplitude da TRAGÉDIA quando, chegando a um posto de gasolina, vi um homem nos seus 50 anos, sentado e rodeado pelo que parecia ser sua família, com abalos que iam muito para além de tremores e repetindo um mantra: “Tanta gente morrendo e eu sem poder fazer nada!”. Sua própria família parecia não ter sofrido perdas.
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VOLTANDO PARA CASA: “PÉ PEQUENO”…R. MIRACEMA!
A cidade colapsou e voltamos a pé. Apesar do abalo sofrido, tínhamos a sensação de “dominar” a cidade. Na R. M. do Paraná, passamos pelo H. Antônio Pedro (que parecia fechado), tomamos a R. P. Cesar até o Largo do MARRÃO (talvez tenha sido “do MARRANO“, como eram chamados judeus e mouros recém convertidos). Nas semanas que se seguiram, a partir da informação de que os médicos precisavam de gelo, as crianças começaram a ir de casa em casa juntando gelo a ser entregue no Hospital. Segundo informações, os fundos do Hospital foram tomados por uma montanha de gelo sem qualquer serventia. Logo, jornalistas começaram a nos visitar—-um deles vizinho—inventando histórias que deveríamos repetir. Perguntei à minha mãe o que eu deveria fazer: “O que v. quiser, só acho que deve dizer a verdade!” Os repórteres não estavam muito interessados em verdades. Fui “posto de lado”. O terreno no qual o circo foi erguido guardou, por anos, um cheiro de queimado muito peculiar que deve ter assombrado muita gente.
EPÍLOGO
Detesto comparações entre universidades—especialmente quando baseadas em “rankings”, preparados por NARCISISTAS visando dar números à sua própria vaidade—mas não posso deixar de assinalar o quanto a UFF é muito mais comprometida com NITERÓI do que a UFRJ em relação ao RJ, parecendo ainda sofrer da “síndrome de UNIVERSIDADE DO BRASIL”. Esse pouco compromisso, não apenas de uma REITORIA, ficou muito EVIDENTE, quando da tentativa de entregar o CAMPUS DA P. VERMELHA à exploração privada. Só o conseguiram em parte, dada a luta extrema contra ela travada por parte da comunidade acadêmica e moradores da região.
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*Havia, na minha geração, um certo complexo de inferioridade em relação ao Rio que nunca me atingiu. Quantas bobagens os cariocas, com sua tendência ao espetáculo, cultivaram para conosco! Um dia suspeitei que “NICTHEROY” pode derivar do enfrentamento aos franceses: NIC (negação) THE (tien) ROY(rei em francês): “NICTHEROY…NÃO TEM REI!”. É o que Araribóia, com sua dignidade insuperável, expressou também aos portugueses e parece dizer ao D. João VI do outro lado da Baía. Se não houver verdade, há poesia, e se há poesia tem já muitas verdades. Aliás, estou convencido de que a tendência à pompa que envolve os cariocas—na Praça do Russel há mais monumentos do que em toda Niterói—decorre da Realeza que por aqui se instalou.