“PRINCÍPIO DO PRAZER”?… NÃO!…DO PODER!

(“Metapsicologia”: mais uma derrapada freudiana na filosofia)

NOTA: tratam-se de trechos do livro (em vias de publicação): “A MORAL E A ÉTICA NA FILOSOFIA– Ensaios críticos sobre o tema na obra dos maiores Pensadores”. É sempre bom registrar que a Psicologia nasceu a partir da obra de GW Leibniz que inspirou as pesquisas de W. Wundt. Há que lembrar, ainda, que este foi uma espécie de mentor de E. Kraepelin, fundador da Psiquiatria como campo do saber específico. 

“Onde encontrei vida, ali encontrei vontade de potência…Não atingiu a verdade… quem a confrontou com a mera “vontade de existência”: essa vontade não há!…Onde há vida, há também vontade, mas não vontade de vida, e sim—vontade de potência!” (Zaratustra-II)

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A ideia de que os seres humanos seriam guiados pelo balanço entre prazer/desprazer é antiga em filosofia. Descartes e outros o defenderam, apesar de sua inconsequência: caso fosse esse o grande determinante das condutas humanas o objetivo maior seria a “distribuição de prazeres” a rodo entre os membros de uma sociedade. Além disso, as drogas que os provocariam receberiam louvações e até altares. Não é preciso trabalhar na área para saber que esse é o caminho mais curto e garantido para a catástrofe, pessoal e social, o que tem sido constatado com as verdadeiras epidemias de uso descontrolado de derivados sintéticos de opiáceos (oxicodona e outros) que provocam sensações de prazer e alívio imediato de dores em geral. O resultado desse verdadeiro “salto duplamente mortal” por sobre a fonte consequente de prazer (o exercício da nossa potência) gera talvez o pior dos desprazeres imagináveis, associado que é ao sentimento de VAZIO que costuma levar à reprodução do artifício original, até que a própria vida entre em colapso, frequentemente pelas próprias mãos. O suicídio, por uma triste ironia, seria um último ato de POTÊNCIA! É bom não esquecer, ainda, o quanto temos sido inconsequentes na defesa do tal “princípio”, afinal, quem age somente em função do seu próprio prazer são os sociopatas. Seriam eles o “ideal humano”?

      O próprio Freud se deu conta do quanto o prazer estava longe de ser o “grande princípio”, daí o seu “Além do Princípio do Prazer”*. A constatação de sonhos terríveis, nos que vieram da guerra (condições hoje denominadas TEPT), provocara o colapso da crença na “obtenção de prazer como finalidade” dos sonhos. O próprio título como que confessava a intenção de um “diálogo” com Nietzsche, infelizmente frustrado ao seu final. A descrição de Freud do jogo solitário de seu neto era um prenúncio da confirmação do PRINCÍPIO DO PODER. Sempre que sua mãe saía, jogava ele um brinquedo amarrado em um cordão para fora do berço e do seu raio de visão, dizendo: “For!” (foi-se). Depois, puxava o cordão lentamente até seu ressurgimento, quando gritava: “DA!” (“ali”). Controlar a mãe era impossível, mas com o brinquedo…ele podia fazer o que queria; uma bela ALEGORIA. Não precisamos ir muito longe para fazer essa constatação, basta lembrar dos nossos maiores prazeres da infância: quando conseguíamos vencer o medo e andar de bicicleta sem apoios, ou saltar de um trampolim e assim por diante. E como repetíamos o ato de maneira a fixar a conquista alcançada! Era a POTÊNCIA e a consequente (muito consequente) sensação de empoderamento! Freud, porém, depois de preparar o campo e “limpar a área”, recuou e não deu o passo final. Ao que tudo indica, a palavra “PODER” exercia um poder paralisante sobre ele. Sua origem? Apenas mais uma incompreensão: o que estava em questão não era o PODER sobre os outros, mas a auto confiança se projetando para o futuro. Quem sabe, Freud não quis admitir plenamente: “Nietzsche, você tinha toda a razão!”? Aliás, há na denominação (“Além…”) uma aberração terminológica. Afinal, e por definição, não pode haver nada além de um PRINCÍPIO (em verdade, aquém, pois anterior), conforme foi também demonstrado por GW Leibniz.

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METAPSICOLOGIA? OUTRA ABERRAÇÃO. A PSICOLOGIA ERA JÁ UM “ALÉM….”

O termo “metapsicologia” (por seu paralelo obrigatório com a metafísica)foi uma espécie de senha para Freud comunicar estar enveredando pela filosofia. Quem conhece, porém, a luta travada entre GW Leibniz para resgatar a certeza de haver um “para além da física”, uma metafísica—“Discurso da Metafísica” no qual derruba teses de Descartes—sabe que a investigação do funcionamento da mente humana foi seu maior instrumento nesse esforço. Por isso, tornou-se ele uma espécie de  “patrono” da psicologia. O próprio conceito, por Leibniz formulado, de apercepção (auto investigação); seus escritos sobre uma certa independência da mente em relação ao cérebro (ver “O que é a Ideia”), o papel dos sonhos e tantos outros, demonstravam ser a própria mente humana o melhor exemplo para demonstrar haver algo muito para além da física: uma metafísica. A psicologia, desenvolvida por W. Wundt (que tinha Leibniz como inspiração), partia da certeza de haver um inconsciente e, em consequência, um muito para além (ou aquém) da própria RAZÃO e uma metafísica. Assim, a palavra metapsicologia, inventada por Freud*, é uma aberração na sua própria origem. E como ainda é propalada por aí!

        Por outro lado, tentando ir além das possibilidades da física (adulando uma certa física que avançava muito no início do século XX), Freud acabou por diminuir a psicologia ao aplicar termos da física e da química para o funcionamento mental. É o que se depreende de seus esforços “termodinâmicos” e “econômicos”. Também a aplicação, de forma um tanto ambígua, de termos como libido e catexia, sugerindo estar o balanço entre sua carga e descarga na origem do prazer e desprazer, colocava a psicologia a reboque da física. Eram termos muito interessantes, mas pensar em uma “energia” (talvez quantificável…como se fosse necessário!) cujos acúmulo e liberação estariam associados ao desprazer/prazer respectivamente implicava submissão intelectual. Ficou conhecida como hipótese termodinâmica e muita gente ligada à psicologia ainda “trabalha” com o modelo sem se dar conta do quanto o fato de alguém recorrer a raciocínios e termos físico/químicos diminui o papel da PSICOLOGIA. Como ficaria a “Rainha das Ciências”, como Nietzsche a entronizou em “Além do Bem e do Mal”?

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*A única maneira de atribuir alguma lógica ao termo seria a defesa de “esoterismos” determinando os caminhos de nossas mentes. Mas…se a obra de Freud visou exatamente a desmistificação desse tipo de crença!

**Freud “primou” por criar denominações erradas e de grande apelo, como “Psicopatologia da Vida Cotidiana” (chistes, “atos falhos” e outros) onde não há, por definição, psicopatologia alguma.

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