“REVEILLON-GOSPEL”! ESCANTEANDO OS INICIADORES NEGROS: UMBANDA* E YEMANJÁ!

(E a música nordestina? Um palco circular e uma enorme CIRANDA!)

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“…a música gospel surgiu nos corais das igrejas dos EUA, no século XX. Seu nome é uma combinação das palavras God e Spell, palavra de Deus”. Foi uma degradação dos profundos “Negro Spiritual”, música dos escravos que inspirou a cultura negra dos EUA. CRISTÃO é o NATAL. O “Reveillon” é, antes de tudo, um acontecimento PAGÃO e DIONISÍACO. Há que respeitar!

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Os “ventos” que empurram nosso prefeito são os de modismos e adulações a estrangeiros. Dessa vez, porém, pode ter perdido o LEME…tradicional local para encontros de terreiros no “Reveillon”. Ao final das tardes daqueles dias, lá vou de bike e assisto a várias entradas no mar e o atirar de flores. Mas a classe média tomou posse dos festejos e deu um “chega prá lá” nos iniciadores…como de hábito. A festa que guardava uma solenidade tocante e PAGÃ cada vez mais se parece com SHOWs de Madona a Lady Gaga:

Rio de Janeiro – Devotos de Iemanjá fazem festa em celebração ao seu dia no centro da capital fluminense. (Tomaz Silva/Agência Brasil)

     “A fronteira entre a cultura negra e a branco-europeia se deslocou para a orla marítima…uma vez por ano (31/12), Yemanjá, a sereia yorubana, a deusa mãe recebe o culto dos seus fiés…do Leme ao Leblon, numa sucessão de pequenos altares de areia iluminados a velas!…data de uns 10 anos (1950). Antes, o que havia era a barca da meia-noite: fiés lotavam as barcas de Niterói levando flores que lançavam ao mar”. (“Yemanjá na Praia”, crônica de M. Bandeira). 

A CULTURA não gosta ou respeita fronteiras. Considerando, porém, a AÇÃO PREDATÓRIA do poder branco, melhor teria sido que a delimitação protetora da “FRONTEIRA” continuasse. Mais uma vez a Cultura Negra foi atropelada. Pior, pois dessa vez o Gospel pode funcionar como a CAVALARIA que os “RINTINTIN” chamavam para esmagar os povos originais da América do Norte. Tem tanto RIN TIN TIN por aí…respondendo ao“Yo, yo Rinty!”.

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E ESSA IDA À PRAIA ERA DESPREZADA PELA C. MÉDIA…”FAZIAM SUJEIRA”!

Esses mesmos rituais também se davam em Niterói. Minha mãe, que era muito ligada à matriz africana, sempre ia a Icaraí na passagem de ano e deles participava: “Não é raro ver-se recebendo o batismo de um babalaô uma loura bem vestida” (IDEM). A nota engraçada era que um dos refugiados do GOLPE de 1964, que em minha casa se escondiam (2 famílias), levava uma bolsa para recolher as velas (ao final da festa e respeitosamente) que seriam usadas por quase todo ano. Era também o tempo dos RACIONAMENTOS de luz…à noite e por 1/2 hora. Para quem não tinha nenhuma renda, era uma colaboração àquela que os abrigava. No dia seguinte, na minha rua, habitada por uma classe média que destilava preconceito contra as manifestações da gente mais pobre e negra, a tendência era debochar dessa ida à praia e dos rituais que a “sujavam”, etc.. O tempo passou…os brancos começaram a gostar da festa. ÓTIMO…caso respeitassem aqueles que a iniciaram. Havia ali muito a ser explorado, a partir de um falso “glamour” espetaculoso. Nossa matriz africana passou a ser um a “problema” a ser escanteado: foram obrigados a realizar seus rituais dias antes, em curraizinhos e outras coisas..

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E A MÚSICA NORDESTINA…! UMA ENORME CIRANDA CONCÊNTRICA…!?

Temos tantas e tão ricas manifestações culturais populares! Não precisamos que algumas autoridades adulem expressões que, no seu país de origem, tiveram uma certa função de aprisionamento de mentes às IGREJAS, como o Gospel. Há muitos grupos, aqui no Rio mesmo, cultivando e apresentando canções nordestinas que cada vez mais tendem a unir e representar o BRASIL! A Praça Serzedelo Correia não foi chamada “PRAÇA DOS PARAÍBAS”?! Pois que, na orla ali por perto, seja feito um PALCO CIRCULAR para a apresentação desses grupos! Alguns deles, constituídos por profissionais e amadores, estão produzindo grande música por aqui. Conheço bem pelo menos um deles: a “ORQUESTRA SANFÔNICA DO RIO de JANEIRO”, organizada e dirigida por Marcelo Caldi que fez da sanfona seu instrumento preferencial, reunindo algumas dezenas de pessoas de todas as idades. “…AH! Mas isso seria simples e BARATO DEMAIS!”, pensariam muitos dos responsáveis pelo “SHOW”, sem ousar dizê-lo! “…Vai que conseguem atrair mais público e atenção do que os…famosos!”. A possibilidade seria enorme, pois nossa GENTE ANÔNIMA seria a protagonista e não meros espectadores! Quem duvida do PODER DAS CIRANDAS para reunir e elevar os espíritos?! No momento em que giram, tornam-se “O CENTRO DO MUNDO”: “A ciranda rodava no meio do mundo/No meio do mundo a ciranda rodava/E quando a ciranda parava um segundo…”(M. Quintana, SONETO XXIV de “A Rua dos Cataventos”).

https://www.instagram.com/orquestrasanfonicarj/reel/DC2epTcJS9A/ Reparem nas “LIBRAS DANÇANTES” para as letras.

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E A MÚSICA SERTANEJA…!? ESSE TAL DE RODEIO A ESTÁ MATANDO!

A assim chamada “Música de Rodeio” está tendo um papel, em relação à MUSICA SERTANEJA, semelhante ao do Gospel em relação ao “Negro Spiritual”. As pessoas se identificam com o COWBOY (de araque), mas são, na verdade, o TOURO sendo domado e tornado dócil ao poder do $$$! Tornou-se um instrumento de “controle AGRO” de mentes! OBJETIVO: transformar toda gente em OGROS, como se pode ver no grupo “Moleques de Rodeio”. Enquanto a música sertaneja era intimista e lírica por natureza, a dos “OGROS rítmicos” é exatamente o oposto. Algo parecido aconteceu com o Gospel e sua apologia ao otimismo vazio e superficial contrastando com a profundidade do drama dos “Negro Spiritual” cantados pelos escravos: “Swing low, sweet chariot” (“Balance suavemente, doce carroça”, levando seus caixões ao cemitério). O salto (quase mortal) para o Gospel, através da negação dos dramas e auto exílio em Deus e seus “pastores”, não foi enriquecedor. 

Um dia, porém, a afirmação de nossa cultura haverá de se impor na plenitude: “…em Mangaratiba a celebração de Yemanjá…foi dionisíaca, nos seus cantos, nas suas jubilosas entradas mar adentro, no seio mesmo de Yemanjá, espumoso e tumultuado”. (M. Bandeira, IDEM). Por fim, e no sentido do lidar com dramas e as dores—delas fazendo um instrumento de enriquecimento e AFIRMAÇÃO de um povo e de uma cultura (não de negação e alienação)—a música/poesia brasileira tem muito a inspirar o MUNDO. Vejam os versos de Caetano Veloso: “O SAMBA é pai do prazer,/O SAMBA é filho da dor/Um grande poder transformador…”

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*Evitar a palavra MACUMBA tornou-se de “bom tom”. A tolice foi ao ponto de dizerem: “se fosse boa, não se iniciaria por MA…”. Pergunto: E a tão exaltada MA…..TEMÁTICA? O que dizer ainda de MA…RIA?…Bem…são os mesmo que passaram a destruir imagens de MARIA (desde a REFORMA). Nunca suportaram o resgate da figura e do PODER FEMININO no RENASCIMENTO.

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