NICTHEROY: UM MONUMENTO INDÍGENA EM CONTRAPONTO AO PÃO DE AÇÚCAR?!!

(Que falta podem fazer monumentos!…Um Museu catapultou uma cidade)


Quadro do francês Henri N. Vinet (1819-76). Viveu e morreu em Niterói
Esse quadro deu fim a toda inibição que eu tinha em publicar o que segue. Trata-se de Imagem anterior às intervenções humanas que souberam “elevar” as montanhas do Rio. Em nenhuma outra senti tanto a força que pode ter um contraponto entre montanhas! Esse “CONTRAPONTO de 3 pontos” parece ter sido a intenção do pintor, pois procurou o ângulo perfeito nas “distâncias” entre eles. Atenção à “Pedra da Índia”! Tantas referências…!

NOTA: Foi com alegria que constatei o empenho da Prefeitura de Niterói em resgatar o prédio da antiga ESTAÇÃO das BARCAS da CANTAREIRA-GRAGOATÁ, na entrada do Campus da UFF. Por um bom tempo, temi que lhe ateassem fogo, recurso que privatistas costumam usar para desmoralizar tudo o que é público, abrindo caminho para que “os aventureiros lancem mão”. Estava abandonado desde a PANDEMIA, pois o simpático restaurante, que lá funcionou por um bom tempo, a ela não resistiu. Também está em curso uma reforma do belo CASTELINHO do GRAGOATÁ elevando os espíritos de quantos por ali passam. O que aqui segue é ideia acalentada há muito tempo.  

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Nascido e criado em Niterói—mudei-me aos 17 anos—-nunca fui atingido por um certo “complexo de inferioridade” que os cariocas tentavam em nós despertar e cultivar: “Terra onde o urubu voa de costas!*; “O mais bonito de lá é a vista do Rio”, etc.. Pelo contrário, desfrutava de tanta liberdade de movimentos e autonomia na minha cidade que, nas visitas ao Rio e contatos com seus moradores, sentia-me um tanto pequeno pela grandiosidade do que via à minha volta, achando que algo pesava também sobre os demais. Niterói nunca perdeu seu ar um tanto provinciano**, no melhor sentido da palavra: aquele no qual a dimensão humana está sempre presente: “…mas provinciano do bom; aquele que está nos hábitos do seu meio, que sente as necessidades do seu meio. Esse sente as excelências da província…tem é orgulho (M. Bandeira “SOU PROVINCIANO” crônica em “Andorinha Andorinha”).

Em nosso vício de comparações: os morros de Niterói eram menores e não tão bonitos (ou não explorados); nossas praias, mais fechadas e protegidas. E veio uma última comparação: nossa Estrada Fróes lembrava demais, sempre em dimensão muito menor, a Av. Niemayer do Rio. Essas comparações não deixavam de baixar um pouco os espíritos. Um dia me dei conta: se não houvesse o Rio (imaginem por ali um paredão; um planalto enorme e sem entradas), Niterói, sendo exatamente como é, seria cantado em prosa e verso, como a cidade maravilhosa…QUE É! Ou seja, a PERVERSÃO era apenas das mentes humanas: não basta se sentir “o melhor” (sic), é preciso REBAIXAR os demais. Por falar em prosa e versos…e as MELODIAS? Quem sabe virão? E então apliquei uma metáfora: Niterói tem um quê de MÚSICA DE CÂMARA; já no Rio….tudo tende ao SINFÔNICO…até exagerado e de gosto duvidoso, por vezes. Mas faltava alguma coisa! E veio NIEMEYER…liricamente criando seus muitos CAMINHOS…começando pelo mais impactante dos MUSEUS do mundo…exageros à parte!

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UM MUSEU TRANSFORMANDO UMA CIDADE! O PAPEL DOS MONUMENTOS!

O efeito do MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA sobre a cidade como um todo e no seu povo (por sua localização, projeto e realização) foi IMPRESSIONANTE. Cessou tudo quanto cantavam as antigas musas…e não apenas em Niterói…também ali em frente, especialmente as “gralhas” maldosas! Que procurem por efeito semelhante de um monumento sobre uma cidade! Subitamente…lá se foi qualquer sentimento de “inferioridade”. Então, e de imediato, ele se tornou o SÍMBOLO da cidade, o que provocou algumas reflexões sobre o papel dos MONUMENTOS em geral. Os de Niterói se contam nos dedos (salvo desconhecimento meu): 1- o de ARARIBOIA, demarcando muito bem um passado ligado aos povos originais e sua afirmação perante os europeus; 2-um muito acanhado monumento na pracinha do Gragoatá,  em homenagem a Pedro II, tão acanhado que chega a dar dó (como a igrejinha “de uma torre só” da “Cidadezinha cheia de graça…” de M. Quintana); 3- no “Rink” outro monumento a Pedro II e à Princesa Isabel, tão “magrinho” que, para serem identificados, é preciso uma atenção enorme; 4-uma bela homenagem aos africanos na entrada do Campus Gragoatá-UFF; 5- uma homenagem (no Campo de S. Bento das minhas Escolas e diversões) ao ator PAULO GUSTAVO, também muito bem realizada e humana. Dentro do Campus Gragoatá, um D. Quixote muito bem realizado (não sei se ainda está lá) 6– belas e humanas esculturas de JK e Niemeyer; 7-uma PRAÇA DA REPÚBLICA que ousaram destruir na década de 1970 (para construir um prédio) e depois resgatada. “Cadê um monumento ao ‘PROFETA GENTILEZA'”!? O Rio se apoderou do personagem!? Um dia, passeando de “bike” por lá (como faço de vez em quando) e depois de diversas interações muito gentis com nossa gente anônima, pensei: “Niterói não é só a terra DO ‘GENTILEZA’, é também da GENTILEZA!”

Os monumentos projetam uma cidade, para frente e para trás. Quem sabe não são eles que acabam com o tão acolhedor PROVINCIANISMO que não devemos perder imitando os “exageros muito cariocas”! Mas uma nova demarcação da importância histórica, na entrada da BAÍA DA GUANABARA—que é responsável pela criação das 2 cidades—seria no mínimo muito interessante. Que sejam homenageados nossos ancestrais—crianças, mulheres e guerreiros, todos em suas fainas diárias e a caráter—em contraponto e “confrontando” o Pão de Açúcar e o Cristo…Seria uma outra demarcação afirmativa, como a dizer, mais uma vez: EM NIC…THE…ROY NÃO TEM REI! Se não há relação etimológica…tem poesia!  

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*”Apenas” 3 erros em uma sentença: 1- não são urubus, mas FRAGATAS vindas da Restinga onde fazem seus ninhos para pescar; 2- não é voar, mas planar; 3- sua movimentação não é de costas, apenas confrontam os ventos para se manterem paradas ou subir, eventualmente se movimentando de lado. A Ponte as ajudou, pois aquece um ar que sobe em bolhas.

**Para se ter uma ideia do bem que um provincianismo muito humano produz, basta olhar para o papel da duas UNIVERSIDADE FEDERAIS (das quais sou professor) nas duas cidades. Enquanto a UFF tem uma ligação enorme, orgânica e indissociável com sua cidade sede, a UFRJ sofre da “síndrome da UNIVERSIDADE DO BRASIL” que um dia foi. Só um descompromisso com sua cidade pode explicar um certo projeto mal denominado “VIVAUFRJ” que tentou entregar TODO o Campus PV a interesses privados. Hoje, está em curso “apenas” sua mutilação parcial. 

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