CIRANDA: UM COZIDO NORDESTINO “ALIMENTANDO” A VIDA!

(De como a CULTURA é sempre o maior obstáculo às aventuras FASCISTAS!)

“Quando ouço a palavra CULTURA ponho a mão na minha Luger”. (J. Göering e sua pistola).

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C.  MAGNO “INVENTANDO” a EUROPA
Fato ou lenda (mais expressiva ainda, caso seja), durante o processo de “cristianização” dos povos “bárbaros”, Carlos teria ordenado o corte do carvalho considerado sagrado e sob o qual os povos germânicos se reuniam anualmente. Segundo fontes medievais, aquele era o “…pilar que conectava o Céu e a Terra.  Poucas imagens são tão poderosas para expressar o papel da CULTURA: um sentido maior à própria VIDA!

J. Göring sentiu profundamente o que era imprescindível para implantar um certo tipo de regime: destruir a verdadeira CULTURA de um povo. Como, porém, os povos não vivem sem manifestações culturais, a “tarefa de inventar” uma cultura ficou por conta de HIMMLER que protagonizou as cenas mais ridículas do “Terceiro Reich”. A “nova cultura”—contrariamente às manifestações culturais espontâneas, sempre inclusivas—implicava apologia do ARIANISMO e a defesa da superioridade de UM povo sobre os demais. Quando a Prússia, com Bismarck, provocou e venceu a Guerra Franco-Prussiana (1870), o jovem Nietzsche (dela participou como enfermeiro) escreveu o quanto aquela “vitória” representava uma derrota da CULTURA e ameaçava os povos do mundo. 

“Cultura é, antes de tudo, a UNIDADE do estilo artístico em todas as manifestações da vida de um povo. Ter muitos sábios…não é meio de cultura, nem sinal da mesma, por vezes até o seu contrário: a barbárie, confusão caótica de todos os estilos” (F. Nietzsche: “David Strauss, Confessor e Escritor”, em “Considerações Extemporâneas”*).

Deve ser motivo de atenção que os dois “pilares” do FASCISMO/NAZISMO (Itália e Alemanha) tenham sofrido um processo de UNIFICAÇÃO militarizada no mesmo período (décadas e 1860/70). Não vi registros de estudos que aprofundem a tese que sinto necessária. Afinal, se há uma conduta típica do cientista, em todas suas expressões, é a não aceitação de “coincidências”. 

“…uma submissa obediência não tem nada a ver com cultura…o povo alemão de nossos dias vive precisamente em uma confusão caótica de todos os estilos…basta reparar nas suas roupas, casas, edifícios…Qualquer passeio pelas suas ruas é suficiente para advertir a grotesca convivência e justaposição de todos os estilos imagináveis”. (IDEM)

Como é bem conhecido, a CULTURA é eminentemente REGIONAL, só se expandindo e “ganhando o mundo” depois de bem consolidada. É fácil imaginar o atropelo que as manifestações regionais sofreram durante aquele processo de militarização generalizada**. As primeiras vítimas da violência de Bismarck e as últimas de Hitler foram os povos germânicos.

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PRATOS TÍPICOS BRASILEIROS…SEMPRE PRÁ MUITA GENTE!

Poucos fatos expressam tão bem o que poderíamos chamar um “espírito brasileiro” (ou aquela UNIDADE de falou o pensador)! Da Feijoada ao Pato ao Tucupi, passando pelo Acarajé, Leitão à Pururuca, Churrasco, Bobó de camarão, Arroz de carreteiro, Feijão tropeiro***….e outros, tudo é motivo para congraçamentos, sempre muito espontâneos. Quanta diferença para a culinária francesa! Sou filho de nordestina e fui criado com muitos deles que fugiam da perseguição pós GOLPE de 1964 abrigando-se em minha casa: Niterói, Rua Miracema 23. O COZIDO NORDESTINO era usual por lá…assim como o cultivo de um certo espírito; o que incluía amigos da rua. 

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COZIDO NORDESTINO 

Quando mamãe vai preparar um bom cozido
Deve pensar: “Terei @s tolinh@s reunid@s!
Mamaram com alegria e aflição aqui no peito
E até me olhavam como a um ser mais que perfeito”

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É ela quem compra tudo o que entra na panela
E quanto amor percebo em cada ato dela
Cada legume é o preferido de cada um dos filhos
Mas…como brigamos por uma espiga de milho

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As carnes são boas, mas não tá aí todo o mistério
Foi seu tempero que tirou papai do sério 
Aos elogios sorri discreta e sem espalhafato,
SIM…pode um paraíso se espalhar por sobre um prato!

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Em um instante eu me transformo em um menino
Naquelas mãos ‘stá quase todo o meu destino
Você quer ver como um pirão quase derrete um coração
Pois vem provar dum bom cozido nordestino

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Sempre há nordeste em todo canto onde há Brasil
Quem sabe foi esse amor de mãe que nos uniu? 
Um quase nada…recebe, aceita toda gente
AH! Só os infelizes tratam mal o diferente

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Os muçulmanos quando rezam voltam-se a Meca
Tudo é solene e nesse instante ninguém peca
Com a gente não, seremos sempre uns bons Cabras da Peste
Mas…os olhos mareiam quando lembram do nordeste.

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*Editora AGUILLAR. MADRID, B. AIRES, MÉXICO (sem indicação de data). O jovem Nietzsche demoliu o mais proeminente pensador da época que veio a falecer logo depois. Estou convencido de que o silêncio que se formou em torno de Nietzsche desde então se deveu ao medo que ele despertou…Era mesmo extemporâneo.

**Hoje, o maior perigo para a CULTURA decorre da mídia que tende a “pasteurizar” (com exceções) nossas manifestações populares e promove um NARCISISMO muito destruidor. Seu efeito sobre o nosso futebol é arrasador. Piores ainda poderiam ser os “globalizantes” “Rock in Rio”. Nossa cultura, porém, é tão poderosa, que eles se têm a ela se curvado. 

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