CASO CLÍNICO: BOA CLÍNICA OFERECENDO SUPORTE À RESSOCIALIZAÇÃO!

(Só quem não está à altura de MISSÃO contrapõe as duas ações!)

PAREDES DO IPUB: A “BANALIZAÇÃO DO MAL!”

 Nunca me imaginei sendo cúmplice do emporcalhamento das nossas paredes. Quando, porém, um outro tipo de emporcalhamento (bem mais grave) está em curso: da nossa HISTÓRIA, digo com o poeta: “Um valor mais alto se alevanta”….Há que agir! Nossas paredes que aguardem por intervenção reparadora; há danos maiores e que podem ser irreversíveis.

“A boa clínica, por mais nobre e complexa que seja, é sempre atividade MEIO. Seu FIM: a ressocialização!”

Os cartazes espalhados pelas paredes do IPUB têm um objetivo claro: HUMILHAR e rebaixar os colegas mais diretamente vinculados à clínica psiquiátrica: principalmente os médicos (responsáveis LEGAIS pelas internações e altas),mas também as equipes de enfermagem, por seu vínculo mais íntimo com as práticas associadas! Se a direção do IPUB considera as internações UM MAL em si mesmas—implicando “trancar e prender” pessoas arbitrariamente—que o declarem e passem à sua ABOLIÇÃO. O papel do IPUB, ao qual outras unidades têm, historicamente, recorrido por apoio diante de situações extremas, seria rebaixado! Nossa “cadeia assistencial”-ATENÇÃO: no sentido do encadeamento—seria quebrada e todos perderiam. Inúmeras pesquisas correriam sério risco e a FORMAÇÃO de pessoal comprometida. Outras UNIDADES seriam sobrecarregadas (já em andamento), apenas para que colegas melindrosos afastem do “seu olhar”—aprisionado por IDEOLOGIAS vazias—a prova da sua própria incapacidade de lidar com situações de RISCO IMINENTE de morte. Que reconheçam essa LIMITAÇÃO! Tantos colegas já relativizaram a UTOPIA de acabar com as internações em psiquiatria! Aliás, quem “pagaria” pelo esvaziamento de nossas enfermarias seriam os próprios pacientes…e colegas de outras UNIDADES, é claro. As INTERNAÇÕES estão sendo tratadas como se fossem “trabalho sujo” a ser entregue a outras UNIDADES! A isso chamo IRRESPONSABILIDADE: não considerar as consequências de seus próprios atos! É bom lembrar, ainda, que as paredes do IPUB estão sob a guarda e responsabilidade da sua Direção, assim como a preservação da nossa HISTÓRIA. Já dos nossos médicos em geral, responsáveis LEGAIS pelas indicações de INTERNAÇÕES, espero que reparem como começaram a—talvez literalmente—BAIXAR A CABEÇA. E espero também que não tentem se convencer de que “O que vem de CIMA não me atinge!”.

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CONTRAPOR ATIVIDADES COMPLEMENTARES!? SÓ POR VAIDADE E NARCISISMO!

Os colegas do nosso serviço de REABILITAÇÃO SOCIAL apresentaram (S. Clínica de 18/06/24) um caso clínico que deixou mais do que evidente a complementariedade entre a BOA CLÍNICA e a RESSOCIALIZAÇÃO: 

Paciente masculino, 57 anos, com sequelas de sífilis congênita, apresentando crises convulsivas tipo G. Mal de difícil controle, impulsos agressivos (sic) e atitudes inconvenientes. Talvez por haver algum patrimônio envolvido, os parentes de sua mãe a afastaram do filho, fazendo-lhe acusações graves (não comprovadas e que me envergonho de reproduzir*). A assinalar: a vontade da própria mãe, quanto a essa separação, nunca foi declarada oficialmente diante de alguma autoridade. Pode ser uma violência contra ela também. O pac. esteve internado por longos períodos e somente a partir da colaboração: psiquiatra/neurologia—outra demonstração do valor do trabalho em equipe—teve suas crises convulsivas controladas o que elevou sua AUTONOMIA. Com isso a equipe ampliou a discussão de estratégias para sua ressocialização e garantia de DIREITOS. Em uso de FENITOÍNA 350 mgs+ A. Valpróico 1500 mgs! 

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*Em 1793, M. Antonieta foi obrigada a ouvir a acusação de que manteria relação incestuosa com um dos filhos. Empalideceu diante do “tribunal” e disse uma sentença que a elevou diante da HISTÓRIA: “Apelo a todas as mães que por ventura aqui estiverem…”. Calou fundo na plateia; seguiu-se um silêncio solene. Talvez o mais belo de tudo isso tenha a IDENTIDADE para com todas as mães, independentemente do passado e da classe social. Nos seus últimos anos de reinado, vinha promovendo festividades nas quais tentava experimentar como vivia a gente simples do povo. 

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