O MUNDO MECÂNICO DE PASTERNAK/DESCARTES: SÓ REDUCIONISMO!

(Defendendo “ciência prática”: utilitarismo matando o espírito científico)

“…Será possível o rebaixamento da existência a um mero exercício de cálculo; a um objeto de estudo matemático sem vida e energia?…Um mundo essencialmente mecânico seria desprovido de sentido” (Nietzsche, “A Gaia Ciência” Af. 373).

Da Suíça ao RGS, “PEDRAs EQUILIBRADAs” são, a princípio, apenas indícios do deslocamento de geleiras. Só se tornaram EVIDÊNCIAS a partir da intuição/reflexão de alguém seguida da pergunta: “Como foi parar ali?”. Aquele que precisa de evidências (o que “salta aos olhos”, literalmente) para alcançar conhecimentos mais profundos, não dará sequer o primeiro passo. Por vezes, há até que superar uma “evidência” (a de que o sol girava em torno a Terra, por exemplo). Para se ter uma ideia da dureza de algumas cabeças, o suíço que fez essa associação pela primeira vez (uma pedra equilibrada nos Alpes) foi motivo de deboche por parte da comunidade “científica”, aprisionada que era às fórmulas conhecidas. Olhando a nossa pedra equilibrada, ouso até uma HIPÓTESE: a “cabeça” do conjunto deve apontar para o NORTE, pois a pedra teria sido arrastada “base acima” pelo deslocamento das geleiras (SUL>NORTE), parando em consequência do próprio congelamento. Quando a geleira recuou, tivemos a sorte dela estar como que “colocada” cuidadosamente na posição. Observações semelhantes foram feitas até no nosso árido sertão nordestino. Sim, nosso sertão já teve glaciação. Ver em: 
https://revistapesquisa.fapesp.br/as-geleiras-viraram-sertao/
Que a cabeça de falsos cientistas—viciados em EVIDÊNCIAS—sejam menos duras do que as pedras e menos congeladas do que as geleiras! 

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Em entrevista à revista ÓPERA MUNDI, N. Pasternak deu pelo menos três escorregadas comprometedores para alguém que se intitula cientista: 

1- Falou em “ciência prática” (em contraponto com a filosofia), revelando o quanto é capturada pela linguagem do utilitarismo rasteiro. 

2- Acusou os que pensam de maneira um pouco diferente:  Querem a GRIFE da ciência, mas não querem passar pelo crivo do método científico ou pelo rigor metodológico…”. 

Convenhamos:  “GRIFFE” é o tipo de palavra (e conceito) com a qual o espírito científico não casa bem! Aliás, em seu original francês, o significado é “GARRA”…aquelas com as quais as aves de rapina capturam suas presas…enquanto a mídia, a serviço do CAPITAL, tenta capturar as mentes. É pela linguagem utilizada (mais do que pelas ideias que fingem expor) que as pessoas revelam suas verdades mais profundas. Pasternak está a serviço da “PSICOLOGIA” que visa o controle de massas (“Cambridge Analytica”, ver abaixo) e não autonomia pessoal de cada indivíduo (aquela que estimula a crítica e a auto observação)? Sua fala sobre “ciência prática”, aliás aponta no mesmo sentido: o das pesquisas aplicadas ou de interesse…prático e utilitário, em oposição às BÁSICAS, aquelas que visam a simples ampliação do conhecimento em geral, acreditando que esse conhecimento haverá de, um dia, encontrar aplicações…práticas. E é essa mente empastelada que quer julgar outras fontes de saber! 

3- “Nosso trabalho como comunicadores de ciência é fazer a informação correta circular”. 

Estaria PATERNAK tentando se tornar uma “GRIFFE”? Vai dito ali: “Temos as respostas CORRETAS! Resta a vs o papel de receber e aceitar aquilo que estamos distribuindo!” Para quem tem um mínimo de ESPÍRITO CIENTÍFICO, essa sua associação da ciência com o papel de “comunicador” soa muito mal! Pois se a ciência mais se associa, na sua origem, à capacidade de duvidar! Criar uma SEMIOLOGIA (de semion, sinais em grego) implica já uma atividade científica propriamente dita, enquanto a associação dos sinais enviados pela natureza à nossa volta é mais um passo. O resultado de tudo isso são teorias mais ou menos verossímeis e hipóteses a serem testadas. E para os que tudo querem reduzir à matéria e à mecânica alguns versos de M. Bandeira em homenagem a C. Meirelles:

“Cecília/És libérrima e exata/ Como a concha,/Mas a concha/É excessiva matéria/E a matéria mata!”. 

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“A crença com que se satisfazem os “sábios materialistas”; de que o mundo deve ter sua equivalência e medida na razão humana e em seus cálculos…cuja última e minuciosa análise pode ser alcançada pela mesquinha e tosca razão humana…” (Nietzsche, IDEM).

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A SERVIÇO DA “CAMBRIDGE ANALYTICA”…A QUE LEVOU TRUMP AO PODER?

Olhadas a partir do como compreender e lidar com as fragilidades humanas (individuais e coletivas), haveria (grosso modo) 2 dois tipos de PSICOLOGIA. Ambas partem daquilo que Nietzsche identificou como Vontade de Potência, o verdadeiro PRINCÍPIO, aquele que chamei PRINCÍPIO DO PODER*. A grande diferença entre elas é que, enquanto um dos seus tipos procura exercer esse poder estimulando a submissão “consentida”—o que implica haver, sim, um INCONSCIENTE, a ser explorado—o outro grupo de tendências na PSICOLOGIA visa a mais bela forma de exercício de poder (geradora do maior de todos os prazeres): a observação do crescimento e aquisição progressiva de AUTONOMIA por aqueles que, de alguma forma, de nós dependeram em algum momento. 

1- “PSICOLOGIA” da CAMBRIDGE ANALITYCA- visa a aniquilação de individualidades, através de múltiplos instrumentos, desenvolvidos e aperfeiçoados às escondidas por grupos associados aos porões de falsas igrejas, associações profissionais (as da Psiquiatria parecem estar já sob controle há muito tempo), universidades e outros. Alcançou seu grande momento na eleição de D. Trump e, por aqui, do “Camundongo da lapela” da anedota: 

“Um cowboy entra com estardalhaço em um bar no velho oeste e vai pedindo doses de álcool, das quais dá goles a um camundongo na lapela. Depois de muitas, puxa do revólver e atira gritando: “O dono desse bar é frouxo, eu não vou pagar…etc.”…o camundongo bota a cabeça prá fora e, com voz engrolada: “E tem mais: o gato desse bar é bicha!”. 

2- PSICANÁLISE e TERAPIAS COMPORTAMENTAIS- suas “linhas” de pensamento são diversas: uma procura associar as manifestações sintomatológicas a antigos conflitos, outra desenvolver instrumentos e maneiras de lidar com as situações geradoras dos sintomas no período e de forma mais objetiva. 

Porque as associo aqui? Ambas visam alcance de maior autonomia individual, pelo menos teoricamente. Considero totalmente improdutiva a discussão quanto a qual delas é “melhor”. Devem se escolhidas e aplicadas segundo 2 critérios principais: 1- o maior talento e inclinação daquele que vai desenvolver a técnica e a indicação; 2- a partir dos traços predominantes dos próprios eventuais pacientes: alguns têm a tendência natural à investigação “mais profunda” de seus conflitos, outros aversão a esse tipo de investigação.

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*No seu “Além do Princípio do Prazer” (título inspirado em Nietzche), Freud reconhece não ser esse um PRINCÍPIO propriamente, chegando a bordejar o verdadeiro PRINCÍPIO (antecipado por Nietzsche): o PODER. Talvez tenha temido a interpretação errônea que se fazia à época do que se chamava poder: algo sobre os outros, quando, em verdade, Nietzsche se referia ao sentimento de poder, ou empoderamento como se diz hoje, gerando os maiores prazeres. É verdade que ele se exercita e reafirma nas disputas e conquistas do dia a dia. 

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