IPUB: REFORMULAÇÃO DA ASSISTÊNCIA SEM APRESENTAÇÃO DE PLANO PILOTO?!
(Diferenciação? Cada UNIDADE tem a sua em particular!)


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NOTA: considero imprescindível, quando da reformulação de um serviço—especialmente em unidades públicas—a apresentação dos seus fundamentos em documento sobre o qual a comunidade passa a trabalhar. É esperado, ainda, um DIAGNÓSTICO da situação que precisaria ser reformulada. Achar que “pen drives” e apresentações, sem a possibilidade de reflexão prévia, preenchem as necessidades de um DEBATE digno do nome não é razoável. Passada a reunião, ficam as gravações, mas essas são de difícil verificação. Como sequer fui informado da apresentação da proposta atual e como perdi a fala daquele que tem respondido pela direção, terei que me basear nas falas de colegas dele muito próximos e nas boas observações críticas de alguns colegas.
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CONFUNDINDO PROCEDIMENTOS ADMINISTRATIVOS COM BUROCRÁTICOS.
Trata-se de erro muito comum entre nós e que eu mesmo já cometi. Não é inócuo, pois dele deriva uma desvalorização da boa atividade administrativa, essencial para o bom funcionamento das instituições. O critério para denominar BUROCRÁTICO um procedimento qualquer é a perda do referencial voltado à atividade-fim. Nesses casos os registros passam ser um fim em si, vazio e contrário aos interesses das comunidades. Estaríamos diante daquilo que H. Arendt chamou “Governo de ninguém”. Poucos procedimentos deformam tanto as mentes. Contrariamente, os bons registros são essenciais ao bom funcionamento; permitem historiar os acontecimentos, informar a quem é devido e responder adequadamente aos órgãos de controle (MPs, Conselhos Profissionais e JUSTIÇA). Mais do que isso, a desvalorização dos procedimentos administrativos, como o uso de “aplicativos” e outros, sem registros nas secretarias, tem sido utilizado como recurso de EXCLUSÃO. Quando da luta contra a EBSERH e sempre que eu substituía a diretora (pró EBSERH), os diretores de HUs (favoráveis à Empresa) marcavam reuniões sem registro nas secretarias, resultando na minha EXCLUSÃO. Mesmo nos dias que correm e entre nós, “aplicativos” såo usados para a EXCLUSÃO. No que se refere à INSTITUCIONALIDADE, não existe “mais ou menos”: aquilo que não é institucional é ANTI-INSTITUCIONAL…ponto final! Voltando à apresentação, identifiquei ali uma proposição que me pareceu burocrática: a divisão, para acolhimento de demandas de regiões do ESTADO do RJ, segundo as equipes clínicas e seus dias de plantão. Não encontrei qualquer PRINCÍPIO que a justificasse. O argumento de que se conheceriam melhor com o tempo não convence. É esperado que TODA a Instituição esteja preparada para o acolhimento dos pacientes das regiões e no menor prazo possível. Uma solicitação de Arraial do Cabo, por ex., teria que esperar pela segunda-feira para ser acolhida? É um bom exemplo para a perda do referencial no INTERESSE PÚBLICO e da CLÍNICA.
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INVENTANDO UM “TERRITÓRIO NÃO GEOGRÁFICO” E SEM RELAÇÃO COM CEP…!?
(sobre a fala de dois colegas muito ligados ao projeto)
Nossos colegas parecem não ter se dado conta de que a mudança do prefixo latino pelo grego (Geo) não muda a referência em relação à TERRA: ao espaço físico e à distribuição das pessoas pelos Bairros do Rio. É curioso que essas coisas se digam em público e que ninguém estranhe. Talvez essa seja a razão para a não feitura de um P. PILOTO: há mesmo coisas que se dizem, mas que não se escrevem e isso merece uma interpretação. Nos debates eleitorais, fiz uma observação que parece ter calado fundo nos colegas: a rigidez e endurecimento da Regionalização (boa como uma referência não endurecida, até porque os pacs inventariam endereços), implicaria o agravamento de um quase “APARTHEID” em nossa sociedade. Por isso, só poderá ser aplicada quando houver serviços de qualidade em todas as regiões. Ouvi vociferações na época, mas hoje precisam de um “contorcionismo” para evitar reconhecer que tínhamos razão. É tão simples! Bastava dizer: a REGIONALIZAÇÃO é uma boa referência, mas não pode servir para ferir o INTERESSE PÚBLICO, afinal, recebemos pacs de quase todas as regiões do RJ. É esperado um esclarecimento dos colegas a respeito, de maneira a evitar ambiguidades. “Território não geográfico” seria até uma perversão do significado de UTOPIA (“u topos”: fora do espaço): aquilo que já está presente nas mentes, mas que ainda não é possível “ver no horizonte”. O problema de que tratamos me parece bem palpável e de fácil solução, desde que coloquemos a IDEOLOGIA em segundo plano em relação ao INTERESSE PÚBLICO e boa CLÍNICA.
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“LUGAR DIFERENCIADO”?! CADA UM COM A SUA DIFERENCIAÇÃO: CPRJ, HPJ…!
Ouvimos várias vezes, na mesma reunião, que o IPUB ocupa um “lugar diferenciado” e eu, que conheço bem o funcionamento de outras UNIDADES, fiquei pensando na diferenciação de cada uma delas: ninguém lida tanto e tão bem com emergências do que os colegas do CPRJ, acionados que são por uma enorme variedade de casos. Sua ligação direta com os dramas da cidade, nos quais intervém muito efetivamente, não ocorre da mesma forma com o IPUB. É uma limitação para a formação dos nossos Residentes em geral. Por outro lado, muito me impressionou a qualidade do trabalho em REDE de assistência em Niterói, na qual o HP-JURUJUBA tem papel determinante. Aliás, ouvi com enorme prazer o elogio dos colegas à REDE do outro lado da baía, em defesa da qual saí a campo (que se mostrou quase de guerra) PUBLICAMENTE, quando o HPJ foi atacado pela chefia de meu Departamento-UFF (da qual também sou professor). Acusações levianas, de assédio sexual a discentes e outras, foram usadas como desculpa para trocar (2018) um CONVÊNIO SUS, por PRIVADO e no Rio*. Em consequência do meu protesto público e cobrança por investigação, passei a sofrer aquilo que considerei ASSÉDIO: fui afastado de disciplina que coordenava havia 17 anos e denunciado por faltas (sic) por não conseguir manusear computadores durante a PANDEMIA, durante a qual trabalhei presencialmente também em Niterói. Aquela DENÚNCIA foi desclassificada por C. de Sindicância e PROCURADORIA-UFF. Tudo isso foi levado à JUSTIÇA e aguarda sentença**. Interessante é que, em todo esse período, os que defendem as Redes (como eu) não se manifestaram a respeito. Voltando ao “lugar diferenciado”, ouvi também ressalvas ao fato de o IPUB ser muito procurado em função de “casos mais graves” e de difícil equacionamento. Mais uma vez, os críticos colocaram a IDEOLOGIA acima do INTERESSE PÚBLICO. Se essa procura é mesmo um fato, isso se dá por NECESSIDADE, não por capricho. O risco maior é que nos tornemos uma caricatura de nós mesmos, menosprezando outros serviços, mas esse risco parece superado.
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*Nunca funcionaram direito, apesar da pompa com que foram assinados no Gab. da Reitoria. Hoje foram substituídos por convênios PÚBLICOS (CPRJ e UERJ), mas no Rio de Janeiro.
**Ver resumo da OITIVA do denunciante e suas quase confissões de assédio:
http://temasedebatesemsaudemental.com.br/2020/12/08/perolas-de-vulgaridade-em-denuncia-malograda/