ENERGIA ESCURA> MATÉRIA ESCURA >GALÁXIAS >…: “TUDO É UM!” (TALES)-II
(Astrônomos batendo cabeça no escuro…Que falta a FILOSOFIA FAZ!)

“O que impeliu Tales (a ver na água a origem de todas as coisas)...foi um postulado metafísico, uma crença que tem origem em intuição mística…a proposição “Tudo é UM”. (Nietzsche “Filosofia na Época trágica dos Gregos”)
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NOTA: o sucesso da investigação do Cosmo empreendida por Galileu (1564-1642) e outros gerou a crença de que a geometria poderia tudo explicar na natureza, movimento que atingiu seu auge com o dualismo de R. Descartes: o mundo material se resumiria à EXTENSÃO, inclusive o corpo humano*; a clareza passou a ser o critério para a verdade, ainda que a régua cartesiana mutilasse os objetos de estudo. O abalo causado nas religiões foi imenso, assim como na filosofia, especialmente para as correntes que tinham por princípio haver sempre algo para além da apreensão plena pela razão: uma METAFÍSICA. Algum tempo depois, porém, GW Leibniz (1644-1716) como que salvou a metafísica—seu “DISCURSO DA METAFÍSICA” traz uma ironia ao “DISCURSO DO MÉTODO”—ao derrubar até mesmo as equações e contas com que Descartes tentou reduzir o mundo físico à EXTENSÃO: haveria e há, sim, energia e movimento em todas as coisas, o que foi comprovado pela fissão do átomo antecipada por M. Curie. Curiosamente, o recente esforço de investigação do mesmo Cosmo está obrigando à reafirmação da FILOSOFIA, especialmente dos primeiros pensadores: Tales, Anaximandro, Anaxímenes, Heráclito, Empédocles e outros, que foram tomados pelo sentimento (mais do que apenas um pensamento) de que “TUDO É UM“, embora esse “UM” fosse diferente para cada um deles. Nos dias que correm, como tentarei demonstrar, é possível que suas formulações se tornem a senha para a solução dos dilemas que têm assolado a astronomia. É bom não esquecer, contudo, que esse “tudo é um” se refere a uma relação permanente e íntima entre tudo o que existe no universo (outro PRINCÍPIO de Leibniz) em seus ciclos eternos, o que implicaria também a possibilidade (quase destino) de retornos periódicos à origem.
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Os astrônomos têm confessado que o termo “escura” (por eles aplicado às suas descobertas) indica ignorância quanto a algo indefinível, cuja FORÇA e AÇÃO apenas conseguem perceber! E então fica óbvia sua ignorância em relação à filosofia, especialmente à PRIMEIRA FILOSOFIA. Por isso como que separam e “distribuem funções” para o que vão encontrando, sem considerarem que podem ser apenas expressões de algo único, para além da nossa capacidade de apreender racionalmente. Assim, a “energia escura” (75% do total) seria a “força repulsiva” (sic) e desagregadora, responsável pela expansão do universo; a “matéria escura” (20%), enquanto a matéria (menos de 5%) seria força mais agregadora e as galáxias o fruto dessa agregação (tendo no meio “buracos negros” assustadores). Que tal pensar como os gregos? TUDO é derivado de algo único**: “…a diversidade das coisas resultantes advém da sua mistura em diferentes proporções” (Empédocles). Mais interessante ainda pode ser a formulação de Anaxímenes, para quem “o universo resultaria de transformações de um ar infinito (“pneuma ápeiron”)…todas as coisas seriam produzidas através do duplo processo de rarefação e condensação do ar infinito”. Substituamos o AR impalpável (à época) por “energia escura” (idem) e pode estar aqui a fórmula para decifrar a relação entre os achados recentes: energia escura; matéria escura, matéria palpável, em sequência, dependendo das condições (como a água em seus estados). E que forças determinariam esses estados? É quando a palavra deve ser dada a Heráclito, com o seu fogo, elemento que promoveria as transformações. Uma coisa é certa: “De onde as coisas têm seu nascimento, ali também devem ir ao fundo, segundo a necessidade… conforme a ordem do tempo…” Anaximandro (criador do conceito de PRINCÍPIO); “Muito mais do que um simples começo, seria o fundo eterno de todas as coisas” (John Burnet: “A Aurora da Filosofia Grega”, Payot, Paris, 1952, Boulevard Saint-Germain)
(“OS PRÉ-SOCRÁTICOS”, Editora Nova Cultural, SP, 1996)
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MATÉRIA ESCURA E BURACO NEGRO: E AINDA FALAM EM VÁCUO!
Sempre que partimos de (ou conseguimos chegar a) PRINCÍPIOS, resultam algumas consequências necessárias, embora o questionamento quanto a se tratarem de PRINCÍPIOS deva permanecer. Vou listar alguns, em torno dos quais parece haver algum consenso, e sugerir o seu desdobramento. Uma coisa é certa: falar de vácuo ou vazio é um contrassenso. Leibniz tinha razão também nessa crítica a Newton. Vejamos:
1– Matéria e energia são formas de expressão de uma “mesma coisa” (o indefinível”).
2—Na Terra, vivemos em função dos dois movimentos de transformação: fotossíntese (energia em matéria) e combustão (matéria em energia), por ex.
3—Temos visto matéria se transformando em energia (estrelas que explodem e outros). Podemos concluir: há alguma “usina de matéria e astros” atuando no Cosmo permanentemente e ainda não de todo identificada.
4—Aplicando o PRINCÍPIO da Harmonia Universal (Leibniz, depois aproveitado por Lavoisier) podemos imaginar haver um equilíbrio permanente na relação: matéria/energia.
5—Se uma é a forma de expressão da outra, e como “a natureza não dá saltos” (princípio da CONTINUIDADE-Leibniz), há uma expressão intermediária dessa transição, por mais rápida que possa parecer (matéria escura?).
6–Se a transformação de matéria em energia implica explosões—não apenas nas nossas bombas nucleares, mas também no Cosmo—o movimento OPOSTO deve se dar em função de uma pressão extrema e por todos os lados. Chegamos, por fim, às hipóteses buscadas:
7—A MATÉRIA ESCURA (um “estado” da energia…escura?) seria essa transição: da energia para a matéria, a partir da pressão extrema.
8–Os “BURACOS NEGROS”—em cujo centro “há um ponto no espaço onde a densidade é infinita” (Chris Impey, Univ. do Arizona, ver abaixo)—foram tidos como “tumbas de matéria” S. Hawking (“Uma Breve História do Tempo”).
9—Teria faltado ao inglês apenas um pouquinho de DIALÉTICA para chegar à hipótese: o local de destruição de matéria deve ser o mesmo do seu “reprocessamento”: os “buracos negros” seriam uma espécie de “USINA de novos astros” a partir do colapso de “super novas” englobando tudo à sua volta: matéria, juntamente com “matéria escura” (“liga no composto”?).
10—Formados os novos corpos, as forças cósmicas se encarregariam de sua aproximação, repulsão e choques: novas galáxias.
“A arte de descobrir as causas verdadeiras dos fenômenos…é como a arte de decifrar…O Sr Bacon elaborou normas para a arte de experimentar…Todavia, se não se lhe acrescentar a arte de…delas retirar as consequências acertadas, não se chegará…àquilo que uma pessoa de penetração poderia descobrir sozinha.” (GW Leibniz: “Novos Ensaios”, Livro IV, cap. XII).
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*Descartes transformou o corpo humano em um “boneco mecânico e desengonçado”, assim como reduziu os animais à simples matéria, sem sentimentos (ou alma). Era uma consequência natural da sua tese.
**A exceção seria, segundo penso, a mente ou alma que são sempre totalmente inéditas, embora, como diz Aristóteles (“Da Alma”): “Afirmam alguns que a alma está misturada com o todo. Talvez por isso Tales pensou que todas as coisas estão cheias de deuses”. O salto dado para a vida e a consciência OBRIGA ao raciocínio metafísico que os cartesianos tentaram “enterrar”, reduzindo o mundo material (e até os animais) à extensão, sem vida ou energia, em uma separação totalmente artificial.
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