IDEALISMO ALEMÃO OU “IRMANDADE KANTIANA”?!

(Nem H. Arendt conseguiu escapar? LEIBNIZ teria sido o antídoto)

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NOTA: Se eu não tiver outra tarefa intelectual nesta vida ficarei feliz por demonstrar que muitas das principais ideias de pensadores que admiro, como H. Arendt e Nietzsche, foram antecipadas por GW. Leibniz (1646-1716) que as apresentou de maneira muito parecida. Impressiona a ignorância de grandes pensadores alemães em relação aos fundamentos de sua obra. Ficaram presos a estereótipos e aos ataques sutis que I. Kant a ele dirigiu! Vejam a defesa de uma METAFÍSICA para além da FÍSICA por H. Arendt e façam sua comparação com as de GW. LEIBNIZ.

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H. Arendt (“A Promessa da Política”): “…O ‘só sei que nada sei’ expressa o reconhecimento da ausência de respostas científicas….É dessa experiência concreta de não-saber…que surgem as perguntas finais (irrespondíveis: O que é ser? Qual o sentido da vida? O que é substância e outras)…algo que os crentes no progresso*** esperam ver totalmente corrigido…A ciência, que faz perguntas respondíveis, deve sua origem à filosofia…Se o homem perdesse a faculdade de fazer perguntas finais, perderia…também a de fazer perguntas respondíveis…Seria o fim, não somente da filosofia como também da ciência”.

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GW. LEIBNIZ (“Monadologie”)29- Saber da existência de verdades necessárias (metafísicas) e eternas é o que nos distigue dos simples animais. Disso resultaram a Razão e as Ciências; 30- É…através da abstração em relação a essas verdades (aceitação de que estão para além da nossa compreensão) que nos elevamos aos atos reflexivos: pensar no que somos e descobrir o que há em nós…Assim, pensamos também: no SER, na Substância…Esses atos reflexivos fornecem os objetos principais de nossos pensamentos.

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DISCÍPULO DE H. ARENDT OU “GUARDIÃO DA IRMANDADE”?

“Arendt estava menos preocupada com MARX do que com a tradição cujo fio ele rompera…” 

(Jerome Kohn, discípulo “dileto”, na apresentação da publicação por ele organizada).

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Somente membros de seitas e/ou irmandades podem criticar um pensador por “romper com tradições”. Mas qual teria sido a tal ruptura de Marx para com a tradição alemã? Seu esforço de trazer a filosofia para a vida, tornando-a um instrumento de transformação social. Os kantianos (da irmandade) certamente prefeririam continuar louvando a “Razão Pura*”, ou submetidos à adoração do ESTADO (Hegel). LEIBNIZ fora excluído da seita**. Se a “ruptura” de Marx foi a mais consequente, é discutível. Que ele tenha eliminado a METAFÍSICA da sua “equação”, criando o materialismo dialético (sugerindo ruptura com a vida espiritual), implicou séria limitação ao alcance de sua própria obra. E sua empreitada crítica em “A IDEOLOGIA ALEMÔ fora tão bem sucedida…! Como diz o ditado, Marx “atirou a criança fora junto com a água da bacia”. Engels chegou a dizer que, com a ciência, a “Coisa em si” tornou-se “Coisa para nós”! E dizer que Leibniz era uma espécie de antídoto contra esse risco, a partir do reconhecimento de limites intransponíveis na compreensão das origens dos fenômenos pela RAZÃO! A partir dessa constatação, infinitas AÇÕES sobre o mundo (através da ciência e outras) seriam previstas! Quanto à ruptura—só existem para mentes AHISTÓRICAS—digo com LEIBNIZ: “Nada se faz de repente…a natureza nunca faz saltos…”. (Prefácio aos “Novos Ensaios”). Mas o pior, nas palavras do “aluno”, é a sugestão de que H. Arendt estava se esforçando para “desfazer um estrago…salvar a tradição…”. Seria o tal FIO uma amarra? Se ele precisa de fios para sair de labirintos, que não arraste H. Arendt.  

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MAS TUDO PODIA PIORAR NAS AVALIAÇÕES DO DISCÍPULO!

“…Arendt lidou…com anti-semitismo, racismo, e nacionalismos…correntes subterrâneas na história universal que não guardam qualquer relação com as grandes tradições políticas e filosóficas do Ocidente e que aparecem somente onde e quando a estrutura social e política tradicional das nações europeias entrou em colapso” (IDEM). Só faltou inculpar alienígenas pela INQUISIÇÃO, NAZIFASCISMO, ESCRAVIDÃO e outros horrores muito ocidentais. Todo narcisismo étnico e/ou regional tem um quê de “Arianismo”. A alienação é impressionante e não pode ser atribuída a Arendt. Mais um pouco e ele perguntará: “Seriam os Monstros (nazistas e outros) Astronautas?”. Sem se dar conta, apenas repete os incautos que não fugiram do nazismo, pois não acreditavam que a “tão evoluída” Alemanha poderia produzir horrores além dos que já aconteciam! “Correntes subterrâneas”! Mas se são elas as mais determinantes! Arendt não merecia um discípulo desses…e falando em seu nome! 

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Basta pensar nos muito grosseiros alemães (a imensa maioria, na época) e seu sentimento de exclusão em relação ao idealismo distante de suas vidas, para que as correlações causais sejam alcançadas. O NAZISMO é uma consequência natural do colapso dos falsos valores do idealismo alemão. Os “imperativos categóricos” de Kant e sua necessidade de inventar um “homem ideal na busca pelo SUMO BEM” (no outro mundo) partiam sempre da aversão e repulsa à inescapável condição humana; dos alemães da época, diga-se de passagem. As gerações seguintes se encaregaram de torná-los “superiores” É quase uma equação inevitável, associada aos “reformadores da humanidade” (de Hitler a Jim Jones):  depois de múltiplos esforços fracassados para eliminar a animalidade, acabam por tentar a eliminação de todos. Não tinha Hitler em seu BUNKER sujo maquete branquinha da “Cidade Ideal do seu Terceiro Reich”? Ao matar seus 6 filhos, disse Frau Göebbels não querer que vivessem em um mundo sem os ideais nazistas! Nietzsche já o antecipara: “Toda virtude que se perde nas nuvens volta-se contra os seres humanos” (“Assim Falava…”). São as tais “correntes subterrâneas” sempre determinantes.

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LEIBNIZ E MARX**: DOIS DOS PROSCRITOS PELA “IRMANDADE KANTIANA”.

E qual o “grande defeito” dos dois? Amar a vida; acreditar no ser humano (a partir das suas condições concretas de vida), investir na sua autonomia e viver intensamente! Tudo o que o “espectro mecanizado” Kant nunca conseguiu. É muito significativo que seus seguidores elogiem tanto seus passeios cronometrados das 15:00 nos arredores de Könisberg (usado pelos moradores do lugar como referência para acertar seus relógios). Kant se tornou uma espécie de boneco dos relógios de igreja; daqueles que dão uma voltinha a cada hora, obedecendo a um mecanismo. Afastou-se do mundo e se perdeu tentando criar instrumentos para investigação da própria METAFÍSICA, principalmente na procura pelos assim chamados: “juízos sintéticos a priori”. Ninguém encontrou, até hoje, uma consequência profícua desses tais “juízos” (mera ideologia vazia). Tentava fornecer bases filosóficas para superar as fragilidades da geometria cartesiana e da física newtoniana tão abaladas por LEIBNIZ. Tentando salvá-los, Kant “turvou as águas”. Enganando-se na investigação direta da própria METAFÍSICA, Kant apequenou a FILOSOFIA, isolando-a do mundo. 

……………………….FIM………………………

*….é estranho querer que um instrumento (a razão) possa criticar seu próprio acerto e competência; que o intelecto possa ‘conhecer’ seu valor, sua força, seus limites! Foi até mesmo um contrassenso” (Nietzsche sobre a “Razão pura”)
file:///C:/Users/User/Downloads/Administrador,+Gerente+da+revista,+Paschoal+-+Nietzsche,+Kant+e+a+Filosofia+como+sedu%C3%A7%C3%A3o+moral.pdf

**Falar no seu nome parece ter sido proibido na irmandade. Kant usa de um recurso pouco honesto em seus ataques: elogia muito a C. Wolff, discípulo de LEIBNIZ, lamentando sua submissão (que não havia).

***O desconhecimento (uma forma de desprezo) da obra de Leibniz por K. Marx deve ter sido influenciado pelos deboches de Voltaire. Já Arendt foi criada em ambiente impregnado de “kantismo” (Jaspers, Heiddeger). 

****A investigação do Cosmo tem gerado perplexidade entre os astrônomos, a ponto de considerarem a não aplicação por lá das leis da física (ver “matéria escura”). O “Big-bang”, por ex., tem sido tratado quase como uma nova “Criação”.

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