IDEÁRIO: PARTIDO DEMOCRÁTICO VOLTADO AOS INTERESSES SOCIAIS

(Prioridade aos S. Públicos: Saúde, Educação, Transportes e Investimentos em Infra-estrutura)

“O CAPITAL é uma ovelha que precisa ser mantida bem tosquiada!” (OLOF PALME, P. MIN Sueco morto em atentado)

Estava pensando numa imagem para ilustrar e me lembrando da sentença Eis que bato na matéria: ovelha na Austrália se perdeu e ficou 5 anos sem ser tosquiada. Acumulou 35 Kg de lã e poderia ter morrido. É um antes e depois! Assim, há que tosquiar as ovelhas para o interesse das…OVELHAS e da NATUREZA. Quem sabe também até…do CAPITAL!?

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1- DOS PARTIDOS POLÍTICOS– por vezes nos esquecemos de que a palavra PARTIDO deriva de “partes”, implicando a certeza de que qualquer sociedade tende a ter (entre seus membros) uma variedade considerável de tendências quanto aos melhores caminhos a trilhar. Sendo assim, e respeitando sempre a LIBERDADE DE PENSAMENTO, é legítimo e bom que pessoas com ideário semelhante se organizem em PARTIDOS. Deve ser também plenamente aceitável a organização neles de “tendências internas” cujo limite há de ser O RESPEITO A UM IDEÁRIO BÁSICO E FUNDAMENTAL. No caso, e para o partido proposto: O INTERESSE SOCIAL como referência e objetivo. 

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2- DA PRODUÇÃO DE RIQUEZAS E SUA DISTRIBUIÇÃO: os maus leitores de “O CAPITAL” costumam concluir que o pensador alemão olhava para o capital como um mal em si. Como estão errados! Até em “O MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA” é feito um elogio e reconhecimento da sua capacidade para liberar forças insuspeitadas no ser humano e na natureza. Por isso, aliás, permitiu (para o bem e para o mal) impressionantes transformações. Mas, como disse aquele mesmo pensador: “O capital nasce pingando sangue por todos os poros”. Assim, lutar contra o “CAPITAL” é uma tolice. A própria Coréia do Norte, por exemplo, só não o aplica mais porque não o consegue acumular. Há que lutar contra o PODER POLÍTICO DO CAPITAL (O Capitalismo), o que é bem diferente.

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3- DE COMO PRODUZIR MAIS E MELHOR OS BENS NECESSÁRIOS? 

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Se há outra afirmação clássica, cuja tentativa de ser levada à prática se mostrou um fiasco, é: “Acabar com a propriedade privada sobre os meios de produção” (fábricas, oficinas, etc.). Assim seria também dado fim à “exploração da mais valia” e “do homem pelo homem”…E então…tudo ficaria um tanto estagnado.  Seria necessário “inventar” um outro ser humano para que essas medidas funcionassem*. Além disso esqueceram-se de um termo muito importante nessa equação: a valorização do trabalho daqueles que organizam o trabalho dos demais, multiplicando as forças de cada um. Como aquele mesmo pensador assinalou: o resultado do trabalho conjunto (ou mesmo dos que trabalham lado a lado) é muito maior do que a mera SOMA do trabalho gerado por cada indivíduo isoladamente. Há ali um “contágio” positivo (emulação) generalizado. 

É verdade que muitos absurdos foram cometidos no aprofundamento da exploração (progressivamente aumentada) dos trabalhadores pelos patrões; é da índole da concorrência capitalista: em um ambiente sem limites éticos e com poder público frouxo, todos tentam “se devorar” mutuamente. A consequência LÓGICA da equação é óbvia: aquele que explorar mais e melhor terá mais possibilidades de…sobreviver e se expandir; especialmente a partir do desaparecimento dos concorrentes (em um processo de “canibalismo empresarial”). Admitamos, entretanto, que alguns desses capitalistas tenham compreendido: com uma exploração “mais humana” obteriam mais sucesso a longo prazo. Sim, isso até acontece, mas é tão frágil! Vejam a “SUSTENTABILIDADE”. Não resiste à primeira crise, ou sua aproximação. E então, a disposição fundamental do CAPITAL: expandir-se permanentemente, devorando o que for possível à sua volta, acaba por se impor. A sustentabilidade se mostra voltada, antes de tudo àquilo que é a referência dos capitalistas: o CAPITAL e não o trabalhador ou a natureza. 

Por fim, há que superar despreparo típico dos movs de esquerda no planejamento e gerenciamento do trabalho de maneira a torná-lo mais produtivo. Quase todos recorrem à “palavra mágica”: “COLETIVO”, como se as simples decisões coletivas resolvessem todos os problemas da execução e planejamento visando melhorar e baratear a produção. As discussões coletivas e a chegada a um consenso mínimo quanto aos objetivos são sim imprescindíveis…mas são apenas o início do processo. Gosto sempre de perguntar a essas pessoas se participam de reuniões de condomínio e a resposta costuma ser NÃO, e com desprezo! É a primeira célula de gestão de uma propriedade coletiva; seria um bom exercício. Mas é típico das assim chamadas esquerdas o menosprezo da gestão. Muitos meus conhecido vão se surpreender quando virem o autor das palavras: “…A inspeção deve não só desmascarar …mas também corrigir….reside em formar um grupo de pessoas experimentadas e informadas, capazes de formular perguntas… Precisa estudar e sintetizar os métodos de funcionamento da contabilidade... Assinalam que a contabilidade está mal feita…e o que fizeram para a corrigir?…Por conseguinte, devem organizar a contabilidade de maneira diferente… Descobrir que o culpado é um ou outro chefe é uma pequeníssima parte da tarefa…Repito: o problema de organizar a contabilidade é fundamental…e também a organização dos trabalhos por contrato e assim sucessivamente”. V. Iliitch Ulianov, Lênin (“Objetivos da Inspeção Obreira e Campesina” 1922). A Revolução passava por momentos muito difíceis e ele, muito doente, tentava demonstrar que governar é muito diferente de fazer revolução. A palavra “contabilidade” (quase maldita para a maioria) é citada quase 10 vezes em um pequeno texto. Seu maior esforço era demonstrar que esse procedimento NÃO É BUROCRÁTICO. Acrescento: burocrático é o trabalho que perde finalidade, servindo ao “bureau”.

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4- CONTROLAR OS MOVIMENTOS DO CAPITAL**; EVITAR CRISES!

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Se há algo de que ninguém duvida é do quanto a expansão—sem controle por parte da sociedade—da ação do capital tende a destruir as relações sociais e a natureza em geral. Ouvi de um ambientalista histórico (reproduzido de memória): “Somente duas coisas nesse planeta crescem permanentemente e sem encontrar limite natural: o câncer e o capitalismo”. Ambos tendem a romper com todos os códigos essenciais (uma certa homeostasia) à preservação da vida***. Conclusão: o CAPITALISMO É O CÂNCER do PLANETA****. Por isso, somente um governo voltado aos interesses sociais (implicando cuidado e preservação da natureza) pode garantir que o papel do CAPITAL na expansão e criação de riquezas deixe de apresentar as consequências MALIGNAS do “processo canceroso” que tudo ameaça. Não duvidemos: o “canibalismo” é da NATUREZA DO CAPITAL; devorador da própria NATUREZA (escrito entre MARIANA e BRUMADINHO).

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5- MAXIMIZAR E CONTROLAR AS AÇÕES DO CAPITAL PARA O BEM DA SOCIEDADE

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Não deve ser papel de um governo a produção de riquezas. Há agentes sociais muito mais capazes para isso e todas as tentativas com aquele objetivo, fracassaram redondamente. Por outro lado, a tão propalada “SUSTENTABILIDADE” soa apenas como a senha usada por capitalistas “mais modernos” (admitamos) para maquiar a predação da natureza que eles mesmos promovem. A rigor, a primeira referência associada àquela palavra é a sustentação…do poder do CAPITAL. Todos parecendo “modernos e avançados”, enquanto a natureza e as relações sociais são pensadas em função de alongar aquele mesmo poder. 

Nada como estudar as grandes crises da história para tirar boas conclusões diante das situações dramáticas de hoje. O que aqui é proposto (nesse quesito, do controle das ações do CAPITAL) tem por base os PRINCÍPIOS que nortearam as ações de F. D. Roosevelt a partir de 1933 (resolvendo a crise iniciada em 1929). E esses PRINCÍPIOS precisam voltar a ser a referência para a humanidade: 

1- controle estrito dos movs do capital, especialmente o financeiro (tornado parasita). 

2- investimento público massivo e imediato em obras de infraestrutura de maneira a facilitar a produção, o escoamento das riquezas produzidas, além de reacender a cadeia produtiva. Em situações de crise, TODOS os capitalistas se retraem e somente o ESTADO pode voltar “rodar a economia”. O discurso tolo que trata a gestão pública como se fosse a familiar (“Só gastar o que cabe no orçamento, etc.”) é a receita da ESTAGNAÇÃO. Chega a ser vergonhoso ver “especialistas” repetindo essa lenga…lenga. Nem os desmentidos práticos fazem-nos calar. 

3- controle de atividades estratégicas e insumos também estratégicos, como produção e distribuição de energia em geral e petróleo em particular; investimento no transporte ferroviário e aquaviário, como portos, etc.  

4- elevação dos impostos, especialmente sobre a riqueza e patrimônio.

E outras poucas medidas gerais que especialistas possam apresentar.  

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6- PRIORIZAR S. PÚBLICOS OU O CONSUMISMO GENERALIZADO?

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“Na decs de 1970/80, a Suécia…manteve o pleno emprego com notável sucesso por meio de: subsídios industriais; IMPRESSIONANTE EXPANSÃO dos Serviços PÚBLICOS e do emprego estatal …possibilitando admirável expansão do Sistema PREVIDENCIÁRIO…essa política só pode ser mantida com contenção dos padrões de consumo dos trabalhadores e através de IMPOSTOS PUNITIVOS sobre altas rendas”.E. Hobsbawn “A Era dos Extremos” (p 400)
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Nossos governos de feitio popular (admitamos, embora estivessem mais para populistas) cometeram o erro de relegar a segundo plano os S. PÚBLICOS, priorizando o CONSUMISMO e os indicadores econômicos. Capturados pelos valores capitalistas, buscaram resultados rápidos e os obtiveram. Já sua sustentação— política, inclusive—não alcançou os resultados esperados. O consumismo sempre mata no nascedouro a semente de compromisso PÚBLICO por parte dos mais competentes (admitamos) em uma sociedade. Aprisionados pelos valores de seus piores inimigos (sucesso avaliado pelo consumo, PIB e outros), criaram uma “casta de quase abastados” totalmente abestados. O máximo de ação coletiva provocada foram os “ROLEZINHOS”, cujo móvel foi a INVEJA dos que dispunham do “GRANDE VALOR”, o contábil. Reproduziram o modelo que tanto condenam: CADA UM POR SI…talvez ainda mais destrutivo. 

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E os S. PÚBLICOS de boa qualidade, por que educariam tanto as populações? Em primeiro lugar, porque são PÚBLICOS, ou seja, abertos a todos, especialmente aos mais necessitados. É verdade que os “remediados” querem logo procurar uma “diferenciação” em relação ao povão que desprezam. Por outro lado, é impressionante como as pessoas mais simples (sem as mesmas ambições ficam gratas e confiantes diante de profissionais (especialmente na saúde, educação e transporte) que sentem estarem verdadeiramente nelas interessados! Quando os serviços melhoram—e essa resposta pode ser bem rápida—a gente do povo pensa ou SENTE (o que é ainda mais importante): “Estão mesmo pensando em nós! Tem gente séria nesse governo. Basta ter um pouco de paciência que as coisas vão melhorar cada vez mais”.  Sim, a gente simples de nosso povo tem uma generosidade quase inesgotável. Precisamos estar à sua altura!

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*Todos os “reformadores da humanidade” acabam por cometer crimes terríveis. Afinal, seu móvel inicial foi a não aceitação dos seres humanos. Como “bons” narcisistas, essas lideranças terminam por escravizar e até matar aqueles de quem nunca gostaram.  

**”O CAPITAL é uma ovelha que precisa ser mantida bem tosquiada”, OLOF PALME, PM sueco, assassinado por enfrentar o CAPITAL, o APARTHEID, a perseguição aos palestinos, a ditadura chilena e outros. 

***Aquilo que chamamos SAÚDE, aliás, nada mais é do que um estado de equilíbrio em um organismo e desse em relação ao meio. Por isso, nada é mais importante do que o sistema ultrassensível de que dispõem todos os organismos vivos para manutenção da sua HOMEOSTASIA. Curiosamente, médicos do passado costumavam chamar o corpo humano de “A ECONOMIA”.

****Bem entendido, sempre que se falar aqui no “fim do CAPITALISMO” isso se refere “apenas” ao fim do poder político do capital, não às práticas (controladas) empresariais.

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