SINCRONISMOS TAMBÉM NA GRIPE “ESPANHOLA”?-II
Márcio Amaral


NOTA: os pernósticos certamente vão torcer o nariz pelo uso aqui da “WIKIPEDIA” como referência inicial e talvez principal. Apenas mais uma forma de, à maneira dos monges medievais, tentar se apoderar do conhecimento! Quem ler sua matéria sobre o tema, mas também alguns dos textos ali referidos vai se convencer da qualidade de suas informações e boa articulação. Os gráficos apresentados são tão expressivos! Nunca sentira assim a beleza do verso de M. Bandeira sobre uma estatuazinha de gesso: “O tempo envelheceu-a, carcomeu-a, manchou-a de pátina amarelo-suja”.*
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Os dois gráficos devem ser olhados em conjunto. No primeiro vemos os momentos principais da PANDEMIA na Inglaterra: 1- pico não tão alto de mortes entre abril e agosto de 1918 (sua difusão parece ter ficado confinada, após chegada dos EUA); 2- onda de mortes (transcontinental) entre 19/10 e 14/12 (pico em 14/11); 3- queda marcante de óbitos do início de jan, até o início de fev 1919.; 4- última onda, já em 1919, com início em 09/02; pico em 09/03 e queda marcante em 09/04. Já o gráfico manchado pelo tempo sugere fortemente o SINCRONISMO dessa última “onda”. A curva referente a Londres segue até o fim, enquanto a de Paris a ela praticamente se superpõe. Já as referentes a NY e Berlim são interrompidas antes. Talvez julgassem não mais ser necessária sua separação. Não comprovam um SINCRONISMO, mas ele está ali fortemente sugerido.
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HIPÓTESE BASEADA EM UMA NEGAÇÃO!
“…o que é desconhecido…pode se fazer conhecer por outra maneira; o interior se faz conhecer pelos fenômenos que dele derivam”. GW LEIBNIZ, “Novos Ensaios sobre o Entendimento Humano”- Livro III
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A hipótese aqui levantada tem por base uma NEGAÇÃO peremptória (ver texto anterior): nenhum dos fatores habitualmente sugeridos (aberturas precipitadas ou mutações) pode explicar o SINCRONISMO da “nova onda” (transcontinental) de infecções e mortes por COVID, a partir do início de novembro/2019! Acossado por essa negação, mas também pela forte suspeita de que o vírus teria surgido “exatamente” 1 ano antes (novembro/2018), cheguei aos conceitos da CRONOBIOLOGIA (estuda os ciclos em geral, entre animais e vegetais). Com assessoria de um biólogo, suspeitei haver uma “previsão” (ciclo circanual, ao fim de uma translação inteira à volta do sol) de modificações importantes na relação vírus/corpo humano a partir do estabelecimento dessa ligação**. Como não tenho instrumentos nem autoridade para investigar a hipótese e os possíveis mecanismos implicados de maneira a concluir, reúno dados que, até agora, têm-na reforçado ou enfraquecido. A esperança é de que mentalidades científicas se deem conta de que o SINCRONISMO apontado não pode passar despercebido ou como “coisa sem importância”. Se há aqui um VALOR ele está na sua não aceitação como fruto de coincidência. E aceitar “coincidências”, sem investigação, é ato de não cientista. ……………………………………………………………………………….
SINCRONISMOS TAMBÉM NA “ESPANHOLA”?
Os primeiros casos bem registrados daquela que foi (posteriormente) chamada “gripe espanhola” aconteceram entre soldados americanos no KANSAS entre JAN e FEV de 1918. Isso não significa, porém, ter sido ali a origem do vírus. Foi muito grave, valorizada e bem registrada, mas foi julgada encerrada, ainda nos EUA, alguns meses depois. Como o mundo não era tão interligado, a “chegada” do vírus à Europa e outros continentes somente foi bem documentada a partir de julho do mesmo ano (embora a chegada tenha sido anterior). Seu status de PANDEMIA foi, então, definitivamente estabelecido e seu pico de mortes aconteceu em novembro do mesmo ano. Tudo indica ter sido, essa “onda europeia”, em verdade, “apenas” a continuação da primeira, fruto da DISSEMINAÇÃO naturalmente mais lenta na época e associada ao deslocamento de tropas americanas. (relação bem estabelecida).
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Entre jan e meados de fev 1919, a PANDEMIA, assim como veio, pareceu estar indo embora, não tão sincronicamente. Mas eis que, entre meados de fev até meados de abril de 1919—pouco mais de 1 ano depois do início da GRIPE em Kansas***—o pavor recrudesceu: uma nova onda de contágios e mortes voltou a assolar o mundo, segundo (ou seguindo, ao que tudo indica) um sincronismo assustador. É o que sugere fortemente o gráfico acima, sujo de pátina pelo tempo. Essa “ÚLTIMA ONDA” não foi tão grave e mortal quanto a verificada em out. e dez. de 1918. Já o curioso e estranho sincronismo parece ter passado desapercebido. Também de forma sincrônica, ao que tudo indica, houve seu desparecimento a partir de abril de 1919. Tudo isso independentemente das atitudes tomadas pelos governos e pessoas, ao que tudo também indica. Há mesmo que exercitar a humildade da condição humana.
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E OS “MECANISMOS” SUBJACENTES AO SINCRONISMO?
Espero que entendam: só avanço, como que tateando no escuro, em função do total silêncio que vejo à minha volta por parte daqueles que teriam mais condições de investigar o SINCRONISMO assinalado. Se outros mais preparados “tomarem a bandeira”, passo para um segundo plano imediatamente. Por mais que reflita, vejo somente UMA possibilidade para sua compreensão. Baseia-se na constatação de que: “o novo coronavírus possui habilidade similar à do retrovírus: integrar partes do seu material genético (RNA) no genoma (DNA) das nossas células” . Ver em:
https://www.saberatualizadonews.com/2020/12/novo-coronavirus-pode-tambem-integrar.html
Assim, o contágio inicial teria sido muito mais amplo do que imaginamos, deixando rastros não detectáveis e “silenciosos” aos nossos instrumentos de investigação. Aquela INTEGRAÇÃO teria sido tão “harmônica” e sub reptícia que sequer desencadearia a “tempestade de defesa” habitual. Não seria algo totalmente inédito! O vírus do herpes (DNA) também é como que “incorporado” silenciosamente sendo “ativado” por múltiplos fatores. Não vou falar em “bomba relógio” para a nova “eclosão do COVID”, pois implicaria algo independente da translação (na base da hipótese aqui defendida) e ações diretas do SOL e dos raios cósmicos em geral. Tudo isso, a partir da mesma CEPA que teria se originado na China em NOV./2018. Findo UM ano (lembrar da CRONOBIOLOGIA), e depois de muitos contágios não identificáveis até então, ocorreria a eclosão generalizada das suas manifestações em muitos daqueles que carregariam consigo partes do vírus. Outro dado que reforçaria muito a hipótese seria a aparente PROPORCIONALIDADE entre a onda atual e o grau de disseminação do vírus inicialmente. Sequer a distante Groenlândia (30 casos e 0 mortes) ficou imune a essa proporcionalidade e sincronismo. Apresentou 10 casos entre 12 e 27 de mar/2020 e alguns casos isolados até 18 dez, quando ocorreu subida semelhante (quase espelhada em relação à primeira): outros 10 casos entre 19/dez e 18/jan 2021. Não há como continuar a ignorar o sincronismo. Ver em: https://www.worldometers.info/coronavirus/country/greenland/
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E QUE CONSEQUÊNCIAS ÚTEIS PODERIAM RESULTAR?
Apesar da preocupação excessiva com a utilidade de um conhecimento não ser conduta de cientistas que se prezam—o próprio avançar do conhecimento desencadeia um prazer enorme—sua utilidade é consequência natural. Vamos a elas: 1- Ficaríamos mais preparados para lidar com possíveis (e prováveis) outras pandemias futuras; não seriam desmobilizadas condutas e instalações prematuramente. 2- Não condenaríamos tanto as pessoas por estarem vivendo suas vidas (após o confinamento inicial muito necessário), pois a segunda onda estaria como que ANUNCIADA; teria um curso um tanto independente dos novos contágios, embora os cuidados contra eles precisem ser mantidos. Já a NOTA DE OTIMISMO É: caso exista o mesmo padrão da “espanhola”—para a atual, última (?) e sincrônica onda—a epidemia atual perderá força a partir do final de março de 2021, encerrando-se nos meses subsequentes, independentemente de nossas condutas. Isso não quer dizer, entretanto, que os múltiplos cuidados adotados (vacinação, inclusive) devam ser abandonados.
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*O poeta derrubara inadvertidamente uma pequena imagem que o acompanhava havia muitos anos. Recolheu os pedaços, colou-os e completou: “…Hoje esse gessozinho comercial/É tocante e vive, e me fez agora refletir/Que só é verdadeiramente vivo o que já sofreu.”
**O fato de um ser INFLUENZA e o outro CORONA vírus (maior predisposição às mutações) deve ser levado em conta, mas não parece modificar o raciocínio.
***Diferenças de um a dois meses nas expressões de curvas de óbitos da primeira onda (jan/fev de 1918) para a última (fev/abril 1919) devem ser vistas a partir de pequenas variações no processo de instalação e evoluções para mortes no período. Não abalam a hipótese dos ciclos CIRCANUAIS.