CULTURAS POPULARES E REGIONAIS: BARREIRAS NATURAIS AO FASCISMO!

Com a atual Ministra da Cultura, Margareth Menezes!

Trecho do último cap.: “XXII- MinC: UM MINISTÉRIO À ALTURA DE NOSSA CULTURA!”)

“Tenho mais votos do que seu público…”(de um deputadinho a Gilberto Gil, em Evento Cultural; Câmara dos Deputados, 15/01/26)

“Votos não compram sensibilidade e tampouco garantem entendimento do que é Cultura…a Cultura…é a mesma que canta nas feiras…que embala crianças nas redes do sertão…que transforma dor em poesia…”.

Resposta de G. Gil àqueles que não sabem diferenciar “votos”, “público” e Cultura.

À saída do evento, nosso gênio da Cultura (para usar a terminologia de Nietzsche), formulou uma sentença que resume um dos argumentos do livro aqui apresentado: “Não discuti com um opositor, mas com um SINTOMA!”. Antes que alguém o acuse de “medicalização da vida ou higienismo”, digo que a sentença pode ser complementada assim: “…um sintoma da falta de ligação do rapazinho e dos que o cercam com sua própria Cultura”. Mas o que me parece mais expressivo, da fala citada acima, pungente mesmo, foi G. Gil ter tratado a Cultura como o elemento ativo nas ações assinaladas: aquela que canta; que embala crianças e que transmuta dores em poesia. Esse entendeu profundamente o que é a Cultura, como também o poeta Jorge de Lima:

“As cantigas lavam a roupa das lavadeiras./As cantigas são tão bonitas, que as lavadeiras/Ficam tão tristes, tão pensativas./As cantigas tangem os bois dos boiadeiros!…As cantigas são tão boas…/Lavam as almas dos pecadores./Levam as almas dos pecadores!”    (do poema: “AS CANTIGAS”, Jorge de Lima

Já em Riachinho (MG)as cantigas (elemento fundamental da Cultura) “fiam as roupas das costureiras”:                 

(Ver em: https://www.facebook.com/reel/1163735635966810)

“No Vale do Urucuia, em Grande Sertão Veredas, o fio não é só de algodão. É feito de amizade, memória e cuidado umas com as outras”.

 SIM! A Cultura está muito para além dos indivíduos isolados. Mesmo quando sozinhos, cada um deles está pleno dos demais e da Cultura de TODOS por ali.

MinC E DEMOCRACIA: UM PARALELO HISTÓRICO

A própria história do nosso Ministério da Cultura (MinC), desde sua criação em 1985, expressa muito bem a evolução da situação da Cultura e da Democracia no Brasil, a cada período demarcado por vários governos. Quando ascendia um governante voltado a políticas que favoreciam as empresas, em detrimento dos interesses da população, um dos seus primeiros atos era fechar o Minc e tentar esvaziar as políticas públicas voltadas à Cultura. São fatos bem documentados denunciando o quanto aqueles que tudo fazem para controlar a gente simples do povo sabiam (intuitivamente, pelo menos) do papel libertador que a Cultura costuma ter. Mas sempre penso haver, nessa atitude, um sentimento de exclusão por aqueles que não conseguem alcançar sua beleza e criatividade!

         Até a redemocratização do Brasil, a Cultura tendia a ser tratada como uma espécie de apêndice da Educação, sendo administrada pelo “M. da Educação e Cultura”. A atual gestão do Minc tem reafirmado, com suas realizações, a importância da autonomia do MinC. Por isso, vou discutir apenas alguns PRINCÍPIOS que julgo essenciais para que nossa Cultura continue avançando:

1: Contrariamente aos partidos, implicando divisão da sociedade em “partes” (dependendo da orientação ideológica e da origem de classe de cada um deles), qualquer esforço pela Cultura deve ser voltado aos interesses da sociedade como um todo, sem distinção de classes. Nesse sentido, a sentença de Roquete Pinto, quando da inauguração do rádio no Brasil: “Pela Cultura dos que vivem em nossa Terra; pelo progresso do Brasil!”, seria um dos meus lemas. Somente tendo a Cultura como referencial, podemos ir além das lutas de classe. Elas existem e sua necessidade se manifesta com frequência, mas não são referência fundamental dos esforços pela Cultura… (CONTINUA)

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